Advogado vira investigado da PF ao tentar subornar PMs de GO por R$ 1,7 mi
‘Ninguém perde’
Dinheiro não declarado saiu de São Paulo com destino a Brasília
PF assume caso após oferta de propina a policiais (Divulgação COD)
Dois homens foram presos nesta quinta-feira (29/1), na BR-050, em Cristalina (GO), transportando R$ 1,7 milhão sem comprovação de origem. Durante a fiscalização, o advogado dos suspeitos tentou subornar policiais militares (PMs), na tentativa de liberar os detidos com a quantia milionária. Em vídeo registrado pelos agentes, o defensor jurídico chega a afirmar que “ninguém perde” ao oferecer propina. A Polícia Federal assumiu o caso e investiga a origem e a destinação do dinheiro, enquanto instaura processo por corrupção ativa contra o advogado. O valor permanece apreendido e à disposição da Justiça. As apurações incluem suspeita de crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Segundo a PM de Goiás, os ocupantes do veículo vinham de São Paulo com destino a Brasília quando foram abordados pelo Comando de Operações de Divisas (COD). Na ocasião, um dos suspeitos demonstrou nervosismo, o que estimulou os agentes a realizar verificação do veículo. Durante a vistoria, os policiais encontraram uma mala com grande quantidade de dinheiro. Os ocupantes não conseguiram explicar a origem do dinheiro, não apresentaram documentos que comprovassem sua procedência e afirmaram desconhecer o valor exato, levantando suspeitas de que atuavam como “laranjas”.
Em seguida, teriam indicado o contato de um advogado responsável pela entrega, e os policiais entraram em contato com ele. O nome do defensor não foi divulgado.
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Advogado ofereceu propina
No vídeo gravado pelos policiais, o advogado tenta justificar a posse do dinheiro, alegando questões comerciais e de importação. “Eles fazem importação, pegam muita coisa dentro do contêiner, roupa, brinquedo, final do ano… é tudo documentado. Eu ia trazer as notas fiscais para comprovar.”
“Colegas em Brasília”
Em seguida, ele tenta negociar diretamente com um dos agentes, “Olha, eu me comprometo, minha palavra… a gente resolve isso, ninguém perde. Eu consigo organizar a documentação e comprovar a origem. E aí, se precisar de retenção dos valores ou de qualquer outra coisa, seja 10 [mil] ou se você libera ele, me passa o seu contato aqui. Ele já envia pelo telefone e eu procuro vocês.”
O defensor continua, buscando usar sua posição e contatos para influenciar a equipe. Ele menciona ter ‘colegas em Brasília” que poderiam colaborar com a situação. “Eu conheço colegas em Brasília, posso ligar, apresentar a documentação, tudo certinho… não tem conversa furada, doutor. É só uma questão de tempo e de a gente organizar os papéis.”
Mesmo diante das tentativas, os militares mantiveram a apreensão, “Infelizmente, doutor, não podemos liberar nada sem comprovação. Vocês entendem que é nossa obrigação reportar tudo ao superior”, responderam os policiais.
Lavagem de dinheiro e corrupção ativa
A tentativa de convencer os agentes a liberar o dinheiro e os detidos não teve sucesso, configurando, em tese, o crime de corrupção ativa. Diante da gravidade e dos indícios de crimes financeiros, a Polícia Federal assumiu o caso. Enquanto os dois ocupantes do veículo são investigados por lavagem de dinheiro e ocultação de bens, o advogado responderá por corrupção ativa. O valor milionário segue apreendido e à disposição da Justiça Federal para aprofundamento das investigações sobre sua real destinação.
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