Advogado diz que ex-piloto acusado de agredir adolescente goiano foi preso por ser ‘branco e de classe média’
DEFESA CONTESTA DECISÃO
A defesa sustenta que Pedro poderia responder ao processo em liberdade, com a adoção de medidas cautelares alternativas
Pedro Turra (Foto: Reprodução)
A prisão preventiva do ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, acusado de agredir um adolescente goiano de 16 anos em Vicente Pires, no Distrito Federal, foi questionada pela defesa, que atribui a detenção a um suposto julgamento social motivado pelo perfil do investigado. Em entrevista ao portal Metrópoles, o advogado Eder Fior afirmou que o rapaz estaria preso por ser “um jovem, branco, de classe média e piloto de carro esportivo”.
Para ele, a prisão preventiva é desproporcional. “Entendemos que a prisão é a medida mais extrema e só deve ser aplicada em casos extremos”, declarou. A defesa sustenta que Pedro poderia responder ao processo em liberdade, com a adoção de medidas cautelares alternativas, como uso de tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar ou restrição de contato com testemunhas. Fior também argumenta que outros clientes do escritório, acusados de crimes considerados mais graves, respondem em liberdade.
O advogado ainda criticou a atuação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), alegando uma suposta “espetacularização” do caso após a divulgação de vídeos da agressão. Segundo ele, houve condenação antecipada do jovem. “Vimos autoridades sem qualificação médica chamando o meu cliente de sociopata, o que fere princípios básicos do direito”, afirmou.
Apesar dos argumentos, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a prisão preventiva. Em decisão proferida na segunda-feira (2), o desembargador Diaulas Costa Ribeiro negou o pedido de habeas corpus e destacou a gravidade da conduta, o comportamento violento reiterado e o risco à ordem pública.
O magistrado também apontou indícios de tentativa de obstrução da Justiça, com possível orientação de testemunhas para forjar uma versão de legítima defesa. Para o Judiciário, medidas alternativas à prisão foram consideradas ineficazes.
O adolescente segue internado em estado gravíssimo na UTI de um hospital particular do Distrito Federal, após sofrer traumatismo craniano.
Relembre o caso
A agressão ocorreu na noite de 23 de janeiro, em Vicente Pires. Segundo a investigação, a briga começou após Pedro jogar um chiclete mascado em um amigo. Rodrigo Castanheira teria respondido que “não deixaria barato” se a situação tivesse ocorrido com ele.
Pedro e Rodrigo teriam trocado socos. O adolescente sofreu traumatismo craniano, está intubado e respira com auxílio de aparelhos em um hospital particular de Brasília. A Polícia Civil investiga o caso como lesão corporal grave, mas a tipificação pode ser alterada conforme a evolução do quadro clínico.
Após a repercussão, outras três ocorrências policiais envolvendo Pedro Turra no Distrito Federal vieram à tona, incluindo denúncia de agressão anterior, briga de trânsito e uma suposta coação para que uma adolescente ingerisse bebida alcoólica.
