A foto do quadro disputado por herdeiros de Hitler no Brasil
arte milionária
Pintura ‘Horse in Landscape’ é de Franz Marc
Imagem: Reprodução/IA
Uma pintura avaliada em US$ 36 milhões (cerca de R$ 188 milhões) está no centro de uma disputa judicial que se arrasta há quase duas décadas na Alemanha. A obra, intitulada “Cavalo na Paisagem”, do expressionista alemão Franz Marc, pertence hoje ao acervo do Museu Folkwang, mas é reivindicada pelos herdeiros do banqueiro judeu Hugo Simon, que fugiu do regime nazista e viveu no Brasil.
Simon deixou Berlim semanas após a ascensão de Adolf Hitler ao poder, em 1933. Dois anos depois, enviou o quadro ao genro, o escultor Wolf Demeter, que morava em Nice, no sul da França, com Ursula, filha do banqueiro. Documentos indicam que Simon ainda era reconhecido como proprietário da pintura em 1938, quando a obra foi listada como possível participante de exposições em Londres e Paris. Depois disso, o paradeiro do quadro se tornou um mistério.
O trabalho reapareceu apenas em 1953, quando foi vendido ao Museu Folkwang por um negociante alemão, Werner Rusche, que alegou tê-lo adquirido de um colecionador particular no sul da França, mas nunca revelou a identidade do vendedor nem detalhou a origem da obra no período da guerra.
Os herdeiros de Simon sustentam que, diante da lacuna na proveniência entre 1937/1938 e 1953, é provável que a pintura tenha sido abandonada durante a fuga da família e posteriormente saqueada no contexto da perseguição nazista. Já o museu afirma que, apesar de três estudos externos e pesquisas internas, não há provas suficientes que confirmem o confisco ou roubo.
A disputa ganhou novo fôlego após a morte de Nadya Cardoso Denis, neta de Simon, em 2022. Desde então, seu filho, Rafael Cardoso, historiador de arte, passou a liderar o processo. Ele critica a demora nas negociações e defende que o ônus da prova deveria caber ao museu.
A trajetória de Hugo Simon também passa pelo Brasil. Após fugir da França ocupada, ele e a esposa cruzaram os Pirineus com passaportes falsos, seguiram para Portugal e embarcaram rumo ao Brasil. O casal viveu em Barbacena, onde Simon trabalhou como criador de bicho-da-seda até morrer, em 1950.
Enquanto isso, o caso se soma a uma série de disputas internacionais envolvendo obras de arte com lacunas de procedência durante o período do nazismo. Um novo estudo independente sobre a pintura está em andamento e deve ser concluído ainda este ano. Até lá, o destino de “Cavalo na Paisagem” segue indefinido.
