Número de mortos em protestos no Irã chega a 2.000, diz agência

Número de mortos em protestos no Irã chega a 2.000, diz agência

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Cerca de 2.000 pessoas, incluindo membros das forças de segurança, foram mortas em duas semanas de protestos no Irã, afirmou uma autoridade do governo à agência de notícias Reuters nesta terça-feira, 13. Esta foi a primeira vez que figuras ligadas ao regime dos aiatolás reconheceram o elevado número de vítimas ligado às manifestações provocadas pela crise inflacionária, que vêm sendo reprimidas com força letal por todo o país.

A autoridade iraniana, que falou à agência em condição de anonimato, porém, atribuiu a “terroristas” a responsabilidade pelas mortes tanto de manifestantes quanto de policiais. O oficial não especificou quem são os mortos.

Vídeos que circulam nas redes sociais nesta semana mostram corpos enfileirados no chão dentro do Centro de Diagnóstico e Laboratório Forense da Província de Teerã, em Kahrizak, levados para lá após confrontos nas ruas. Ao seu redor, as imagens indicam que há parentes procurando por seus entes queridos.

EDITORS NOTE: Graphic content / This video grab taken on January 13, 2026 from UGC images posted on social media on January 12, 2026 shows dozens of bodies lying inside the Tehran Province Forensic Diagnostic and Laboratory Centre in Kahrizak, with what appeares to be grieving relatives searching for loved ones. Other videos showing the same scenes first appeared online on January 10, 2026. A violent crackdown on a wave of protests in Iran has killed at least 648 people, a rights group said on January 12, 2026, as Iranian authorities sought to regain control of the streets with mass nationwide rallies. (Photo by UGC / AFP) / Israel OUT / NO USE AFTER JANUARY 22, 2026 07:47:24 GMT - ISRAEL OUT / NO USE AFTER JANUARY 22, 2026 07:47:24 GMT - ISRAEL OUT / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT AFP - SOURCE: ANONYMOUS - NO MARKETING - NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS - NO RESALE - NO ARCHIVE - NO ACCESS ISRAEL MEDIA/PERSIAN LANGUAGE TV STATIONS OUTSIDE IRAN/ STRICTLY NO ACCESS BBC PERSIAN/ VOA PERSIAN/ MANOTO-1 TV/ IRAN INTERNATIONAL/RADIO FARDA - AFP IS NOT RESPONSIBLE FOR ANY DIGITAL ALTERATIONS TO THE PICTURE'S EDITORIAL CONTENT /
Vídeo mostra dezenas de corpos dentro do Centro de Diagnóstico e Laboratório Forense da Província de Teerã, em Kahrizak, com o que parecem ser parentes enlutados procurando por seus entes queridos em meio a onda de protestos e repressão. 13/01/2026 – (UCG/AFP)

Os protestos, desencadeados pelo derretimento do rial, a moeda local, e queda vertiginosa no poder de compra, representam o maior desafio interno para o regime que comanda a República Islâmica desde, pelo menos, 2022. Mas o governo está ainda mais vulnerável desta vez, alvo de crescente pressão e sanções internacionais devido ao seu programa nuclear e debilitado devido à guerra de 12 dias contra Israel e os Estados Unidos, durante os quais o Irã foi intensamente bombardeado, em junho do ano passado.

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Repressão

O clero do Irã, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979, tentou adotar uma abordagem dupla em relação às manifestações. Por um lado, validaram a legitimidade da insatisfação contra os problemas econômicos; por outro, impuseram uma dura repressão policial aos atos. Autoridades iranianas acusaram Washington e Tel Aviv de fomentar a revolta com objetivo de desestabilizar o regime, e também acusaram supostos “terroristas”, não identificados, de “sequestrar” o movimento popular.

Na segunda-feira 12, a organização Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, já havia estimado em ao menos 648 o número de manifestantes mortos durante a violenta repressão à onda de protestos no Irã. O número de presos, ainda de acordo com a entidade, já supera 10 mil.

Restrições de comunicação, incluindo um bloqueio da internet desde a última sexta-feira, dificultaram o fluxo de informações. Mas vídeos que circulam nas redes sociais mostram confrontos entre manifestantes e forças de segurança na última semana, vários deles verificados de forma independente, e revelam que policiais usam munição real contra a população civil que saiu às ruas.

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