Chavismo vai às ruas em Caracas e protestos pedem que EUA devolvam Maduro
O grupo é uma minoria, mas chamou a atenção neste sábado, 3. O chamado chavismo de base, ou chavismo militante, decidiu ir ao centro de Caracas para rejeitar a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e exigir seu retorno à Venezuela.
Desde cedo, diversos líderes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), a legenda governista, conclamaram a população a comparecer a atos. O chamado pouco a pouco começou a se concretizar após o meio-dia, quase 12 horas depois da queda do mandatário venezuelano.
A maioria vestia a cor vermelha característica e portava bandeiras da Venezuela e imagens do ditador ou de seu mentor, Hugo Chávez, o populista que governou o país por catorze anos e capitaneou a Revolução Bolivariana, tendo algum êxito no princípio com programas de cunho assistencialista que acabaram não se sustentando no longo prazo. Maduro pegou o bastão após a morte do chefe, em 2013, e desde então permanecia, apesar de tudo, no Palácio de Miraflores não pelo carisma, mas por ter conseguido engolir as instituições uma a uma, do Legislativo ao Judiciário.

“Nós estamos nas ruas pedindo uma prova de vida, que devolvam o nosso Presidente, que foi sequestrado”, afirmava a prefeita de Caracas, Carmen Teresa Meléndez, uma das participantes da concentração próxima ao Miraflores.
Ao lado dela, vários deputados do parlamento — entre eles o primeiro vice-presidente do Legislativo, Pedro Infante — passaram pela concentração demonstrando seu repúdio ao ocorrido durante a madrugada.
Outros, entoando o slogan “o povo unido jamais será vencido”, também exigiam informações sobre o paradeiro de Maduro, de quem até aquele momento se conhecia apenas uma fotografia a bordo de um navio de guerra americano. Acredita-se que ele e sua esposa, Cilia Flores, tenham chegado nesta noite a Nova York, onde devem ir à justiça por conspiração e narcotráfico.
Trata-se de uma mobilização que se repetiu em outras cidades da Venezuela, conforme imagens divulgadas pelos canais estatais, nas quais as pessoas levantavam a voz com o slogan: “Maduro, aguenta firme, que o povo se levanta”.

No entanto, as cenas publicizadas pela mídia do regime refletem um pequeno recorte da realidade. De acordo com pesquisa recente AtlasIntel, mais da metade dos venezuelanos (55%) acreditam que vivem em uma ditadura (18% discordam e 27% dizem não saber), porcentagem semelhante à dos que dizem que Maduro roubou as eleições de julho de 2024 e daqueles que pensam que a Venezuela ficaria melhor sem o ditador.
O mesmo levantamento revelou que apenas 15% dos entrevistados nutria visão positiva sobre o líder do país, enquanto 60% disseram ter visão negativa sobre ele.
Mais impressionante: a maioria (um em cada quatro) dos venezuelanos já dizia na época que a maneira mais viável de derrubar o regime de Maduro e restaurar a democracia na Venezuela era uma intervenção militar liderada pelos Estados Unidos; mais gente ainda (acima de um terço) diziam apoiar tal ação americana.
Na Venezuela, os que querem Maduro de volta são minoria.
