Estudo para prever dengue tem melhor desempenho em Goiânia

Estudo para prever dengue tem melhor desempenho em Goiânia

Um modelo de inteligência artificial desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para antecipar a evolução da dengue apresentou, em Goiânia, o maior coeficiente de determinação entre as 27 capitais brasileiras analisadas em um estudo publicado neste mês no International Journal of Biometeorology. O sistema prevê a taxa semanal de morbidade por dengue, uma medida que relaciona a ocorrência da doença à população de cada cidade.

Baseado no algoritmo CatBoost, o sistema faz previsões com até quatro semanas de antecedência e alcançou, na capital goiana, R² de 0,9199, o maior índice registrado entre as cidades avaliadas.

Na prática, o resultado indica que o modelo conseguiu reproduzir de forma próxima o comportamento da dengue observado em Goiânia, acompanhando a variação da doença ao longo do tempo e os períodos de aumento e queda registrados. O R², porém, não indica quantos casos o sistema acertou ou errou em cada previsão.

Embora o modelo tenha conseguido acompanhar de forma consistente a dinâmica da epidemia, isso não significa que tenha acertado exatamente o número de casos em cada semana.

A pesquisa avaliou modelos de inteligência artificial para fazer previsões de curto prazo da dengue nas 27 capitais brasileiras. Para isso, foram utilizados dados epidemiológicos, climáticos e socioeconômicos, além de informações sobre as características dos municípios, como dados de localidades vizinhas e variáveis de calendário. Com essas informações, os modelos identificam padrões nas séries históricas e estimam como a doença pode se comportar nas semanas seguintes.

IA pode antecipar períodos de maior risco

As previsões podem ser feitas para períodos de uma a quatro semanas. Segundo os pesquisadores, esse tipo de antecipação pode indicar períodos e capitais com maior risco esperado, ajudando a orientar o planejamento das ações de saúde pública.

Na prática, uma ferramenta desse tipo poderia auxiliar gestores a reforçar a vigilância epidemiológica, preparar os serviços de saúde e definir o momento de intensificar medidas de controle do mosquito, como inspeções em imóveis, eliminação de criadouros e ações educativas, antes de períodos de maior transmissão.

Os pesquisadores, no entanto, ressaltam que os resultados devem ser utilizados como apoio à tomada de decisão, e não como uma previsão determinística dos casos. Segundo o estudo, a ferramenta não deve substituir as rotinas de vigilância já existentes, mas funcionar como apoio ao planejamento preventivo.

Além de Goiânia, outras capitais também apresentaram resultados positivos com o CatBoost. João Pessoa, Fortaleza e Belo Horizonte, por exemplo, ficaram entre as cidades com os maiores valores de R². O estudo ressalta, porém, que o desempenho variou entre as capitais e que diferentes métricas podem apresentar resultados distintos.

Goiânia ainda não usa tecnologia para prever casos de dengue

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia informou que não desenvolveu nem implantou, até o momento, um algoritmo preditivo customizado especificamente para antecipar a evolução epidemiológica da dengue na capital.

Segundo a pasta, a equipe técnica acompanha as discussões sobre o uso de inteligência artificial na saúde pública e participou de um curso introdutório promovido em parceria com o Ministério da Saúde, no qual foram apresentadas possibilidades de aplicação da tecnologia em diferentes realidades.

Atualmente, a Vigilância Epidemiológica municipal utiliza análises descritivas e estatísticas para acompanhar a dengue e subsidiar a tomada de decisões. A equipe também realiza análises preliminares com scripts em Python desenvolvidos a partir das capacitações oferecidas pelo Ministério da Saúde. De acordo com a SMS, essas ferramentas são utilizadas como exercícios internos de análise de dados e não constituem um algoritmo preditivo em produção.

A Secretaria informou ainda que tem interesse em avaliar novas ferramentas que possam contribuir para o aprimoramento da vigilância epidemiológica. “A eventual utilização de um modelo de inteligência artificial deverá considerar sua capacidade de responder às características territoriais e aos diferentes microclimas de Goiânia, a qualidade e compatibilidade com as bases de dados municipais, além da facilidade de utilização pelas equipes técnicas”, diz um trecho da nota.

Também seria necessária, segundo a SMS, a formalização de uma parceria com a instituição responsável pelo estudo para a realização de eventuais testes-piloto.

A secretaria considera a inteligência artificial uma ferramenta promissora para apoiar a tomada de decisões, principalmente na análise de grandes volumes de dados e na identificação de possíveis tendências epidemiológicas. A pasta, contudo, reforça que a tecnologia deve funcionar como instrumento de suporte analítico e não substituir as ações de vigilância e controle da dengue, como inspeções de campo, identificação e eliminação de criadouros, controle vetorial e conscientização da população.

Leia também:

Fonte Original Mais Goias

Ultimas Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *