Para lembrar com sorriso nos lábios: a filosofia de vida de Dolly Parton

Para lembrar com sorriso nos lábios: a filosofia de vida de Dolly Parton

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Tudo já foi dito sobre Dolly Parton? De jeito nenhum. A cantora e compositora que era um estereótipo ambulante, uma espécie de drag queen do sexo feminino, teve uma vida inteira de tiradas engraçadas, ironizando a própria imagem, com seus seios e cabelos maiores do que a vida. Mesmo quem não morre de amores pelo estilo musical dela ou pela voz de soprano explorada no limite, não pode deixar de sorrir com seus comentários bem-humorados sobre múltiplos assuntos, desde a infância de extrema pobreza — vivia contando que seu pai pagou pelo parto com uma saca de fubá — até a boataria sobre sua vida sexual.

Dolly fazia parecer fácil uma carreira com extremas exigências e dedicação, a ponto de não ter tido filhos para poder manter o ritmo dos shows. É claro que existia uma vontade de ferro por trás daquela montanha de apliques e perucas. E uma cabeça pensante, pioneira na criação de um parque temático chamado Dollywood, o centro de seu império comercial altamente lucrativo.

A seguir, uma amostra dos “dollynismos”, como ficaram conhecidas suas tiradas.

“Custa muito caro parecer tão rampeira”, ironizou sobre a própria aparência, inspirada, desde que era criança, na mulher de reputação duvidosa de sua cidadezinha nas montanhas do Tennessee.

“Minha mãe era democrata e meu pai era republicano; então, eu sou hipócrita”, sobre a recusa em tomar posições políticas ou apoiar candidatos de qualquer partido.

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“Não me sinto ofendida com piadas sobre loira burra porque sei que não sou burra — e também não sou loira”. Poderia ter jeito melhor de demonstrar estereótipos?

“Se eu vejo alguma coisa sobrando, enrugando ou balançando, vou cortar, esticar ou aspirar”, numa defesa irretorquível da sua adesão a procedimentos estéticos.

“Meu vestido branco ficou um pouco transparente com a água do rio e os meninos na margem gritaram ‘Aleluia’”, sobre o espetáculo propiciado por seus seios já imponentes quando foi batizada no rito evangélico, aos doze anos.

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“Fui acusada de me envolver com todos os homens com quem jamais fui vista e com quem trabalhei. Talvez sim, talvez não, jamais direi”, sobre os boatos de múltiplos envolvimentos paralelos a seu casamento de quase seis décadas com Carl Dean, aberto a flertes com outras pessoas, mas não para sexo. Teve várias paixonites.

“Somos amigas desde a terceira ou quarta série. Eu a amo tanto quanto qualquer pessoa no mundo. Mas não temos um envolvimento romântico”, sobre mais boatos, estes sobre seu relacionamento com a amiga Judy Ogle.

“Se você encostar a mão em mim de novo, vou te dar um tiro”, episódio de assédio contado numa entrevista a Conan O’Brien. Ela estava com uma amiga em Nova York e tinha sido expulsa do hotel, sob suspeita de atividades paralelas. Um revólver na bolsa resolveu a questão da abordagem agressiva. Nem é preciso dizer quantos americanos adoram essa história.

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“Tinha água corrente se você estivesse disposta a correr para buscar”, sobre o barraco de madeira de apenas um cômodo em que morava com a família — pais e doze irmãos.

“Tive que parar o carro porque quase bati”, sobre a primeira vez que ouviu Whitney Houston cantando à capela seu maior sucesso, I Will Always Love You. Claro que vai tocar em seu funeral.

“Se a casa cair, vai ser em cima de mim porque não vou sair desse jeito”, sobre um tremor de terra que a surpreendeu sem maquiagem. No combate ao câncer que a levou, perdeu a lendária cabeleira, mas numa entrevista quatro dias antes de morrer, reconheceu apenas alguns problemas de saúde.

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“Eu usei minha feminilidade e minha sexualidade, mas isso é normal”, reconhecendo o que quase nenhuma artista admite.

“Não posso competir com você”, dirigindo-se a uma lindíssima rival ruiva a quem implora que ‘não roube meu homem’, na música Jolene, inspirada numa caixa de banco que tinha uma queda por seu marido.

“Meus pontos fracos sempre foram comida e homens. Nessa ordem. ”

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Dolly Parton bancou um programa de doação de livros infantis para crianças de zero a cinco anos. Mais de 300 milhões de crianças em todo o mundo foram beneficiadas pela obra filantrópica, chamada Imagination Library. Isso a fez uma das loiras mais inteligentes da história do show business.

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