Haddad compara casos de Lulinha e Vorcaro e diz que investigações devem ‘ir até o final’

O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou nesta terça-feira, 25, que as investigações envolvendo seu aliado político Lula e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, não podem ser equiparadas às suspeitas que atingem o senador Flávio Bolsonaro (PL) no caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Em sabatina à VEJA, Haddad afirmou que não há evidências de que o presidente tenha atuado para beneficiar quem quer que seja e defendeu que as investigações avancem até o esclarecimento dos fatos. “Lula é presidente da República e não mexeu um dedo para beneficiar quem quer que seja. Não tem nenhuma evidência. O outro é o personagem que desviou o dinheiro e que deveria estar sendo, na minha opinião, mais investigado pelo que confessadamente fez”, afirmou.
Ao fazer a comparação, Haddad se referia às investigações sobre Lulinha e às suspeitas envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro. O petista sustentou que, enquanto o caso envolvendo o filho de Lula não teria, segundo ele, qualquer contrato firmado com a administração pública, o episódio relacionado ao senador envolve recursos que, conforme as investigações citadas por Haddad, teriam origem em fundos de pensão. “Eu penso que são duas coisas muito diferentes”, disse Haddad. “O que é melhor para o país? Que a polícia vá até o final das investigações e esclareça o que o Lula fez e o que o Fábio fez. ”
Na sequência, o candidato petista voltou suas críticas a Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu principal adversário na disputa pelo governo paulista. Haddad citou uma investigação da Polícia Civil relacionada à Prefeitura de São Paulo e a contratação, por mais de 100 milhões de reais, de uma organização para instalar pontos de wi-fi na cidade — a ONG Instituto Conhecer Brasil é presidida por Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da Go-Up Entertainment, produtora do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Num caso você tem contrato com a prefeitura, você tem o áudio do Vorcaro, você tem 60 milhões repassados de dinheiro de fundo de pensão e, no outro, não tem contrato nenhum”, afirmou.
A fala faz parte da estratégia de Haddad de ampliar a comparação eleitoral para além das acusações que atingem seu próprio campo político. O petista tenta colocar lado a lado as investigações envolvendo Lulinha e Flávio Bolsonaro, mas sustenta que há diferenças relevantes entre os episódios.
Datafolha mostra Tarcísio na frente
O último Datafolha mostra Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 45% das intenções de voto, 18 pontos à frente de Haddad, que aparece com 27%. Na espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, a vantagem também é do governador: 26% contra 13% do petista. A pesquisa ouviu 1. 610 eleitores em 65 municípios paulistas nos dias 18 e 19 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.
O cenário é mais desfavorável a Haddad quando se observa a rejeição: 47% dos entrevistados dizem que não votariam nele de jeito nenhum, contra 29% de Tarcísio. Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, o governador aparece com 54%, ante 35% do petista. A diferença, contudo, diminui na Região Metropolitana de São Paulo, onde Tarcísio tem 39% e Haddad, 34%.
