Chile assusta o mercado e é novo alerta para governos de direita da região

O produto interno bruto (PIB) do Chile apresentou crescimento nulo no segundo trimestre, quando comparado com o primeiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, a economia chilena encolheu 0,2%. Os resultados divulgados nesta terça-feira 18 foram considerados “inesperados” por analistas de mercado, que previam um avanço de 0,3% sobre os três primeiros meses de 2026. Este é o primeiro resultado da economia desde que o advogado de extrema direita Jose Antonio Kast assumiu a presidência do país em março.
Segundo a imprensa chilena, Kast se elegeu com a promessa de incentivar o crescimento do país, mas suas primeiras decisões exerceram um forte impacto negativo no bolso dos cidadãos. Entre elas, está a liberação dos preços dos combustíveis. Em meio à escalada do petróleo devido à guerra dos Estados Unidos contra o Irã, a medida levou o Chile a enfrentar a maior alta de preços da gasolina e de outros derivados desde os anos 1980 – algo que acertou em cheio o bolso da classe média.
Para complicar o quadro, o Chile convive com uma taxa de desemprego de 9,4% – a maior desde 2021 – e sofre com os efeitos de eventos climáticos extremos. Em julho, fortes chuvas atingiram o país, causando mortes, fechamento de escolas e paralisando setores da economia. Diante dos impactos, os economistas reduziam as expectativas de crescimento do PIB neste ano para cerca de 1%.
Há poucos dias, em entrevista a uma rádio local, Kast afirmou que a economia começará a se recuperar a partir do fim do ano. Para tanto, conta com os efeitos de medidas que conseguiu aprovar no Congresso, tais como o corte de impostos para empresas e a concessão de incentivos e de garantias aos investimentos privados.
Diante do mau resultado no segundo trimestre, o Chile é o novo alerta para os governos de direita da América do Sul, cuja principal vitrine é a Argentina governada pelo ultraliberal Javier Milei. Em maio, a economia argentina recuou 0,2% sobre o mês anterior, marcando o segundo mês consecutivo de retração. Na comparação com maio de 2025, a alta foi de apenas 0,2%, muito abaixo das projeções de 2,5% propostas pelos economistas.
