‘O Fim da Rua’ carrega legado de ‘Jurassic Park’ revigorando dinossauros no cinema
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Em um domingo qualquer, nos idos dos anos 1980, famílias em um subúrbio americano se juntam para um churrasco, praticam esportes e brindam a vida boa que levam. Mal sabem elas que a calmaria, em breve, será interrompida por nada menos do que dinossauros famintos que surgem do absoluto nada. A virada misteriosa move o filme O Fim da Rua (The End of Oak Street, Estados Unidos, 2026), que estreia nos cinemas na quinta-feira, 13. Quando o bairro todo se vê na era jurássica, a família Platt, formada pelo casal Greg (Ewan McGregor) e Denise (Anne Hathaway) e seus dois filhos, Audrey (Maisy Stella) e Brian (Christian Convery), deve lutar como for possível pela sobrevivência — enquanto reconhece seus modestos entraves humanos, como ambições reprimidas e problemas com o álcool.
O fascínio pelas criaturas colossais no cinema foi e continua a ser explorado pela franquia Jurassic Park, que tem um monopólio simbólico sobre o tema desde o primeiro filme, de 1993, do diretor Steven Spielberg. Adicionar uma roupagem doméstica ao subgênero é a ousadia do diretor e roteirista americano David Robert Mitchell. “É maravilhoso poder criar algo único, colocar no mundo uma história que não existia”, disse ele a VEJA, sem deixar de listar Spielberg e M. Night Shyamalan como inspirações.

Discreto e, por assim dizer, lento para os padrões hollywoodianos, o cineasta de 51 anos de idade tem, contando esse, quatro longas-metragens no currículo. Estreou com a comédia O Mito Americano da Festa do Pijama (2010), mas se destacou com o segundo filme, o terror independente Corrente do Mal (2014), seguido pelo neo-noir O Mistério de Silver Lake (2018) — os dois últimos exibidos com pompa no Festival de Cannes. Em comum, suas obras exploram a vida cotidiana, especialmente em subúrbios, mas sempre com uma pitada de fantasia, horror e drama familiar.
Criado em Detroit, ele se apaixonou pelo cinema por influência do pai, que tinha como hobby a criação de animações em stop-motion no porão de casa. Em O Fim da Rua, Mitchell equilibra ação e sentimentalismo e abre uma fresta para a própria infância, dedicando o filme ao pai, aficionado por dinossauros. Acostumado a se virar nos trinta com orçamentos baixíssimos, agora o diretor esbanja 85 milhões de dólares — com direito a trabalhar com a mesma empresa de efeitos especiais que fez Jurassic Park, a ILM. “Foi muito divertido, como brincar com brinquedos em um bairro enorme, imaginando: ‘E se o dinossauro pisar aqui?’.” Assim, surgiu uma vizinhança literalmente do barulho.
Publicado em VEJA de 7 de agosto de 2026, edição nº 3007
