a história do vice de Flávio Bolsonaro
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), ganhou projeção nacional ao atuar como relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS no Congresso. A escolha dele foi um indicativo de que Flávio pretende explorar politicamente os indícios de relacionamento entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Antes de ser anunciado como candidato a vice-presidente, Gaspar se preparava para ser candidato ao Senado em Alagoas, aproveitando-se justamente da visibilidade que conseguiu como relator da CPMI.
O relatório elaborado por Gaspar acabou rejeitado pelos integrantes da comissão. No documento, ele defendia o indiciamento de Lulinha, solicitava a prisão preventiva de investigados e propunha mais de 200 indiciamentos envolvendo empresários, operadores financeiros e agentes públicos.
Ainda na madrugada desta quarta-feira, antes da confirmação da mudança de planos, o deputado publicou nas redes sociais uma mensagem anunciando sua pré-candidatura ao Senado por Alagoas.
“Sou candidato ao Senado com a mesma coragem, determinação e compromisso que marcaram toda a minha vida. Obrigado pela confiança. Nossa caminhada está apenas começando. Vamos juntos!”, escreveu.
Gaspar havia sido apresentado como pré-candidato ao Senado ao lado do deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados. Na ocasião, os partidos divulgaram uma nota conjunta afirmando que manteriam uma atuação política alinhada. O meio político apostava que o crescimento de Gaspar, impulsionado pela repercussão da CPI do INSS, poderia dificultar a estratégia eleitoral de Lira, sobretudo pela disputa do eleitorado mais identificado com o bolsonarismo.
Trajetória no Ministério Público e na política
Antes de ingressar na vida política, Alfredo Gaspar construiu carreira no Ministério Público de Alagoas. Formado em Direito em 1993 e especialista em Direito Público desde 1999, também atuou como professor universitário por mais de uma década. Em 1996, tornou-se promotor de Justiça, cargo que ocupou durante 24 anos.
Ao longo da carreira, trabalhou nas promotorias de Maravilha e Palmeira dos Índios, até chegar à 48ª Promotoria de Justiça de Maceió. Em 2016, foi eleito procurador-geral de Justiça de Alagoas, sendo reconduzido ao cargo por mais dois mandatos consecutivos. Em 2020, deixou a instituição para disputar cargos eletivos.
Entre os casos de maior repercussão em que atuou está o assassinato da então deputada federal Ceci Cunha, em 1998, quando ela, o marido, o irmão e uma prima foram mortos em Maceió. As investigações apontaram que o crime foi encomendado pelo suplente Talvane Albuquerque Neto, interessado em assumir a vaga na Câmara dos Deputados. Ele foi condenado a mais de 100 anos de prisão. Ceci Cunha era mãe do ex-senador e atual vice-prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha (Podemos).
Gaspar também teve atuação de destaque entre 2010 e 2012, período em que Maceió registrou uma série de homicídios de pessoas em situação de rua. Inicialmente atribuídos à ação de grupos de extermínio, os crimes, segundo as investigações, estavam relacionados a dívidas com o tráfico de drogas.
Além da atuação no Ministério Público, ele comandou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas em duas ocasiões: entre 2015 e 2016 e, posteriormente, de 2021 a 2022. Também presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), ligado ao Conselho Nacional de Procuradores-Gerais, e integrou conselhos estaduais voltados às áreas de segurança pública e direitos humanos. Em 2012, recebeu a Medalha Mérito do Ministério Público, principal honraria concedida pela instituição.
Ingresso na política
Nas eleições de 2022, Alfredo Gaspar foi eleito deputado federal pela primeira vez, com 102.039 votos. Foi o segundo candidato mais votado de Alagoas, atrás apenas de Arthur Lira.
Dois anos antes, disputou a Prefeitura de Maceió. No segundo turno, enfrentou JHC, então filiado ao PSB, e obteve 156.704 votos, o equivalente a 41,36% dos votos válidos. JHC venceu a eleição com 222.147 votos (58,64%).
