Três treinos por dia e 20 comprimidos: protagonista de ‘Fúria’ detalha preparação árdua

Três treinos por dia e 20 comprimidos: protagonista de ‘Fúria’ detalha preparação árdua

Formado pela Escola de Arte Dramática da USP, o ator Vinícius Neri viveu o maior momento de sua carreira na última quarta-feira, 29, quando estreou como Marcelo, o protagonista de Fúria, nova série brasileira da Netflix. Dirigida por Zé Henrique Fonseca, a obra conta com nomes de peso como Alice Carvalho e Fábio Lago, mas coloca Neri no holofote principal, vivendo um jovem que luta para conquistar seu espaço no mundo do MMA enquanto lida com um passado misterioso. Em entrevista à coluna GENTE, o ator de 31 anos se mostra orgulhoso do papel, revela frustração com o destino da carreira antes de conquistar a vaga e diz ver a produção como um “divisor de águas” na dramaturgia.

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Fúria marca seu primeiro protagonista em uma grande produção da Netflix. Como foi ser escolhido para viver Marcelo? Já havia feito um teste de química em que era o único candidato, então tinha uma sensação de “estou dentro”. Mas como faltava a confirmação oficial, ainda sentia ansiedade. Lembro que, no dia em que o resultado da seleção deveria chegar, uma quinta-feira, pensei: “Vou ter um dia normal. Vou para a academia, vou fazer minhas coisas normalmente”. Mas não consegui. Até fui para a academia, mas não treinei direito e voltei para casa. A resposta não chegava. Passei o dia inteiro ansioso, quase mordendo a parede, aguardando o retorno. E acabou que não chegou naquele dia por causa do fuso horário da Califórnia, onde a Netflix fica. Só recebi a resposta no dia seguinte, quando estava em um ônibus vindo de São Paulo para o Rio. Foi uma loucura, todo mundo ouviu eu ligando para minha mãe, chorando. Foi uma comoção só.

Quando leu o roteiro pela primeira vez, o que mais te chamou a atenção? Sim, muito. Eu li os roteiros nessa viagem, indo para o Rio de Janeiro, mas já tinha sentido uma identificação anterior, com as poucas informações que recebi durante os testes. Lembro que, quando fiz o primeiro teste e li a linha do personagem, me arrepiei na hora, me conectei de cara. Depois de ler o roteiro completo, isso aumentou. 

A série mergulha no universo do MMA. Já tinha alguma experiência com artes marciais? Já tinha visto uma luta ou outra, mas nunca fui consumidor assíduo. Fiz uma aula de Muay Thai quando tinha 15 anos, mas foi uma única aula, e também fiz Tae-kwon-do dos quatro aos cinco anos. Mas, fora isso, nunca mais tinha tido contato com luta até a série. Então foi preciso mergulhar profundamente no assunto. Duas semanas depois de ser aprovado, já estava fazendo três treinos por dia. Foram quatro meses e meio de preparação física antes do início das gravações, com profissionais do mundo inteiro. Uma equipe inteira para construir meu corpo, alimentar a máquina para fazer a coisa acontecer.

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Você falou sobre iniciar já com três treinos de cara. Como foi esse processo de preparação? Quando estava em São Paulo, acordava e ia fazer um treino em uma escola de boxe. Depois tinha um treino de musculação e um treino de MMA, só eu e o professor. Meu Deus do céu, era intenso. Uma hora e meia de treino. Vim para o Rio, também acrescentamos a aula de coreografia de luta com o Peter Lee, um ator e coreógrafo que veio de Los Angeles para nos preparar. Além das consultas regulares com nutricionista e endocrinologista. Tomava uns 20 comprimidos só de suplemento — tudo muito natural, claro. Não usamos nada que pudesse dar um ganho rápido. Precisava comer sempre na hora certa. Não importava o lugar onde estivesse, tinha que parar para comer minha marmita no horário certo. No primeiro mês desse processo todo, eu ganhei 5 quilos de massa magra e perdi 3 de gordura. Para um mês, isso é coisa para caramba. 

Inspirou-se em algum lutador? Tive a sorte de poder treinar com atletas profissionais na BTT (Brazilian Top Team) quando cheguei ao Rio. Esse foi um acerto grande da produção. Eu estava em uma condição maravilhosa em que ninguém podia me bater, mas eu podia bater em todo mundo (risos). Mas era bom demais estar junto com os caras que se preparavam para lutar no UFC. Também tive a sorte de o Peter ter trabalhado com o Mike Tyson, que era uma grande referência para mim em diversos momentos. 

Sem entregar spoilers, qual momento de Fúria você acredita que mais vai surpreender o público? As lutas vão ser um ponto forte da série. Elas foram gravadas de um jeito meio surpreendente, que eu nunca vi igual, principalmente pensando em produções brasileiras. A série teve um valor de produção muito grande, um investimento alto no movimento das câmeras. Tem uma cena, por exemplo, em que eu levo um soco e caio de cabeça no chão. Havia um equipamento imenso para fazer essa cena acontecer, passar a sensação do soco para o espectador. Eu ficava sentado em uma cadeira, vinha o soco, e a própria estrutura me derrubava. 

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