Irã faz ameaça à Ucrânia: guerras podem virar uma só?

Irã faz ameaça à Ucrânia: guerras podem virar uma só?

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Um ataque da Ucrânia contra um navio comercial do Irã fez subir as tensões entre os dois países. No domingo 26, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que a ação “não pode ficar sem resposta”, levantando questionamentos sobre o risco das guerras no Oriente Médio e no Leste Europeu se amalgamarem em um único conflito.

Na segunda-feira 27, o Ministério das Relações Exteriores iraniano voltou a alertar sobre consequências “imprevisíveis” após um ataque da Ucrânia a uma embarcação iraniana no Mar Cáspio, região que liga o norte do Irã ao sul da Rússia, durante o fim de semana.

“Essa ação da Ucrânia foi um ato absolutamente ilegal e injustificado, contrário à Carta das Nações Unidas, bem como um ato perigoso de aventureirismo que certamente não ficará sem resposta da nossa parte”, disse o porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei, em uma coletiva de imprensa. As consequências da ação da Ucrânia “certamente serão imprevisíveis”, acrescentou ele.

Denúncias ucranianas

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, comunicou no sábado que Kiev havia realizado ataques de longo alcance contra embarcações que transportavam carga militar envolvendo o Irã. Segundo ele, a Rússia está fornecendo ao regime dos aiatolás informações obtidas por satélite sobre posições militares no Oriente Médio, dados que seriam usados para planejar ataques na região.

Zelensky afirmou que satélites russos monitoraram recentemente quatro bases militares: duas no Bahrein, uma na Jordânia e outra no Kuwait — três países aliados dos Estados Unidos contra os quais as forças iranianas lançaram ataques nas últimas semanas.

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Expansão da guerra

A república islâmica, por sua vez, afirmou que o ataque fez com que o navio iraniano “explodisse”, deixando um marinheiro morto e ferindo “vários outros”, e alertou que responderia. “O regime ucraniano certamente deve ser responsabilizado por isso”, disse o porta-voz Baqaei.

Teerã também acusou Kiev de tentar expandir a guerra na Ucrânia. O chanceler Araghchi publicou no X (ex-Twitter) que a agressão foi “cometida a mando de Israel para arrastar a Europa para a guerra israelense”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na segunda-feira que vai questionar seu homólogo russo, Vladimir Putin, sobre as denúncias feitas pela Ucrânia, enquanto os dois conflitos vivem um momento de escalada. No Oriente Médio, Washington e Teerã voltaram a trocar ataques sem conseguir avançar em um acordo para encerrar a guerra, embora tenha havido uma pausa nos últimos dias (fruto, segundo a imprensa americana, de estoques baixos de munição no lado americano). Já no Leste Europeu, Rússia e Ucrânia intensificaram os bombardeios.

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Mais de 390 drones foram lançados contra a região de Moscou durante a madrugada desta terça-feira, 28, informou o prefeito da capital russa. No domingo 26, as autoridades ucranianas acusaram Moscou de atacar um supermercado na cidade de Chernihiv, no norte do país, perto de Belarus e longe da linha de frente — duas pessoas morreram.

A situação deve ser discutida em uma reunião em Washington nesta terça entre Zelensky e Trump.

Conflitos que se tocam

Apesar das duas guerras estarem separadas, as batalhas na Ucrânia e no Irã têm encontrado interseções. Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, por exemplo, Moscou usa drones desenvolvidos pelos iranianos (em particular, o modelo Shahed) para atacar alvos ucranianos.

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Além disso, quando os Estados Unidos e Israel lançaram a ofensiva militar contra o Irã, em fevereiro deste ano, Zelensky saiu em turnê pelas nações do Golfo fechando parcerias para ajudá-los a desenvolver tecnologia para interceptar drones iranianos, dada a experiência de seu país em lidar com esse tipo de armamento.

Na semana passada, a agência de notícias Reuters também revelou que os Estados Unidos têm indícios de que a Rússia ajudou o Irã a atacar instalações da inteligência americana no Oriente Médio, o que fortalece as denúncias de Zelensky.

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