Tarifaço tira de Flávio o trunfo de Trump e deixa fatura para Lula

O novo tarifaço de Donald Trump distribuiu prejuízos entre os dois principais candidatos à Presidência. Flávio Bolsonaro perdeu o principal ativo que tentou vender ao empresariado: a capacidade de usar sua proximidade com Washington para destravar a relação comercial. Lula, por sua vez, ficou com a responsabilidade pelo fracasso da diplomacia oficial brasileira.
Flávio foi aos Estados Unidos, participou da audiência do USTR e pediu que a medida fosse suspensa ou adiada. O governo americano ignorou o apelo. O resultado mostrou ao setor produtivo que acesso a Trump não significa influência sobre suas decisões.
No Planalto, a conta é maior. O governo mobilizou Itamaraty, MDIC e assessores presidenciais em cinco reuniões de alto nível, mas não conseguiu impedir a sobretaxa. A reação da Fiesp, que atribuiu a medida a ruídos diplomáticos e discursos eleitorais do governo, ampliou o custo político da derrota.
O empresariado entra agora numa janela de sete dias para negociar sem uma solução pronta de nenhum dos lados. Se Lula conseguir ampliar as exceções ou suspender a cobrança, recupera parte de sua credencial diplomática. Se a tarifa permanecer e começar a atingir encomendas e empregos, a fatura ficará no Palácio do Planalto.
Flávio, porém, já sofreu uma perda difícil de reparar: descobriu que proximidade é diferente de poder de convencimento.
