Como é assistir a uma partida das quartas de final da Copa em um telão imersivo

Como é assistir a uma partida das quartas de final da Copa em um telão imersivo

O melhor lugar do mundo para assistir a um jogo de futebol é no estádio, onde a partida acontece. Não há nada que supere a visão completa do campo, a vibração da torcida, o cheiro, o som e a sensação de testemunhar uma peleja in loco. A Fifa colocou um novo lote de 1.200 ingressos para a final da Copa a cerca de 7 300 dólares (cerca de 40 000 reais) nesta semana, e eles esgotaram em poucas horas. Para quem pode pagar, vale cada centavo.

Mas agora há um novo segundo colocado nesse ranking de melhores locais para se ver futebol. A reportagem de VEJA foi ao Cosm, bar em Los Angeles, para assistir à partida entre Inglaterra e Noruega, válida pelas quartas de final da Copa do Mundo, em um telão imersivo: uma tela redonda, de 180°, com 26,52 metros (87 pés) de diâmetro e 16,8 metros de altura, onde é possível se sentir dentro do próprio estádio.

Como em um estádio, há espaço para todo tipo de torcedor. Os ingressos mais baratos, de 10 dólares (cerca de 55 reais), dão direito a assistir de pé, de onde a pessoa conseguir, ao telão imersivo ou a uma das mais de 40 televisões e telões espalhados pelo bar, em áreas internas e externas. Quem optou por uma mesa na “arena”, na cara do gol, com direito a garçom para trazer comes e bebes e ouvir cada chute, bola na trave e torcida presente em Miami em som surround direto do estádio, pagou 375 dólares (cerca de R$ 2 060) só pelo lugar privilegiado — valor cobrado nas principais partidas da Copa, como jogos do Brasil, dos Estados Unidos ou duelos eliminatórios como este entre Inglaterra e Noruega. Em eventos como o Super Bowl, esse mesmo lugar pode custar até 800 dólares (cerca de 4 400 reais).

E o clima é mesmo o de um estádio, ainda que mais chique. O ar condicionado e o serviço de restaurante destoam, claro, da experiência real de quem estava em Miami assistindo a Noruega abrir o placar com um chutaço de Schjelderup no ângulo do goleiro Pickford aos 35 minutos do primeiro tempo. Mas bastam 2 minutos olhando com atenção para o telão imersivo que o cérebro engana a si mesmo de que se está ali, ao vivo, vendo a Bellingham passar pelo zagueiro Heggem e bater cruzado para empatar o jogo 11 minutos depois.

Continua após a publicidade

Verdade que a torcida norueguesa presente não fez a remada tradicional, e os ingleses de plantão estavam mais comportados do que os hooligans que costumam fazer arruaça em estádios mundo afora. Mas a intensidade das celebrações de ambas era real, demasiadamente humana. A tecnologia conseguiu tocar o coração dos presentes, afinal, era só um meio para fazer chegar o futebol, a maior invenção do homem, aos olhos, ouvidos e, por que não, à alma do público.

O empate levou a partida para a prorrogação, e a tensão das arquibancadas em Miami – visível no telão, quase como uma continuação da arena do bar – era compartida com o roer de unhas em Los Angeles. Bellingham tratou de botar a Inglaterra na frente do placar, e com um pé nas semifinais, logo aos dois minutos da fase complementar, no rebote de um chute de Rogers. E o Cosm veio abaixo,com cerveja jogada para o alto, lágrimas e abraços.

O curioso é que o Cosm Los Angeles fica dentro do Hollywood Park, o complexo de entretenimento que também abriga o Estádio de Los Angeles, usado na Copa do Mundo, e o Intuit Dome, arena do Clippers, time de basquete da NBA. O espaço reúne ainda teatro, cinema e shopping center. Da área externa, dá para ver o estádio que viveu, sem tecnologia, o clima da Copa do Mundo, e parece que isso ficou no ar por ali.

Continua após a publicidade

A tela imersiva em formato de cúpula de LED — batizada pela empresa de “Shared Reality” — tem uma superfície equivalente a 16,76 metros (55 pés) de altura e área total de cerca de 6.039 m² (65 mil pés quadrados), em resolução acima de 12K. A casa tem capacidade para 2 000 pessoas, variando conforme o evento. Desse total, cerca de 400 a 500 pessoas acompanham o telão imersivo sentadas em um esquema de arena, não exatamente em cadeiras enfileiradas, mas em mesas onde são servidas comida e bebida.

Para os jogos da Copa, o Cosm envia equipes de produção próprias para captar as partidas ao vivo, material que é processado nos estúdios da empresa e retransmitido em tempo real nas telas.

Continua após a publicidade

O nome Cosm é uma combinação de “Cosmos” e “Colosseum” (Coliseu, em inglês), uma referência dupla às origens da empresa: a tradição de planetários e educação espacial, e o Coliseu romano como espaço histórico de grandes espetáculos ao vivo. A Cosm atual nasceu em 2020, quando um grupo de investidores adquiriu duas tradicionais empresas do setor de planetários, a Evans & Sutherland (fundada nos anos 1960) e a Spitz Inc. (fundada em 1947), e uniu essas operações à LiveLikeVR, especializada em transmissão imersiva de eventos esportivos. A empresa também desenvolveu experiências específicas de cinema para o formato de cúpula, como adaptações imersivas de Matrix, A Fantástica Fábrica de Chocolate e, mais recentemente, Harry Potter e a Pedra Filosofal, esta última em parceria com a Warner Bros. para celebrar os 25 anos do filme. Foi a partir de 2024, porém, que a companhia passou a investir em experiências imersivas voltadas para esportes ao vivo, como a que recebe os jogos da Copa do Mundo.

O Cosm Los Angeles foi inaugurado no verão de 2024, junto com a unidade de Dallas; a de Atlanta abriu no mês passado. Novas unidades em Detroit e Cleveland estão previstas para o outono e a primavera seguintes, respectivamente. A empresa afirma ter planos de expansão para outras cidades e países, mas nada concreto para o Brasil ainda.

Bola de futebol gigante colorida com o nome TRIOMDA e o logotipo da Adidas, ao lado das letras brancas COSM em um terraço. Ao fundo, um estádio moderno com teto curvo e edifícios altos sob céu azul com nuvens esparsas
Da área externa do bar é possível ver o estádio de Los Angeles, palco de 8 jogos da Copa do Mundo (Felipe Carneiro/VEJA)
Continua após a publicidade

Sobre o jogo: a Inglaterra venceu a Noruega por 2 a 1, com dois gols de Jude Bellingham — um ainda no primeiro tempo, em resposta ao gol norueguês, e outro na prorrogação — e vai enfrentar na semifinal o vencedor de Argentina e Suíça, no Estádio de Atlanta, na quarta-feira, dia 15 de julho, às 16h (de Brasília).

Para quem puder, o ideal é mesmo comprar o ingresso e ir para Atlanta ver tudo ao vivo. Se não for possível, vale considerar uma tentativa no telão imersivo. A experiência é incrível.

Source link

Ultimas Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *