Conheça duas histórias de goianas aprovadas para mestrado nas melhores universidades do mundo
Uma pedrinha guardada desde janeiro e uma inscrição concluída a apenas quatro minutos do encerramento do prazo. Os objetos e momentos parecem simples, mas simbolizam a trajetória de duas goianas que agora se preparam para estudar em algumas das melhores universidades do mundo por meio do Programa Goiás Pelo Mundo – Mestrado Internacional, iniciativa do governo de Goiás executada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg).
Entre os dez selecionados no edital estão Mariana Beatriz Correia Brandão, aprovada para cursar o mestrado em Comunicação Digital e Cultura na Universidade de Sydney, na Austrália, e Sâmi Vieira Attux, que seguirá para a Zhejiang University, na China. Apesar dos destinos diferentes, as duas compartilham a convicção de que a educação tem o poder de transformar vidas e abrir caminhos que antes pareciam impossíveis.
A promessa feita em Sydney
Quando participou da primeira edição do Goiás Pelo Mundo – Intercâmbio, em janeiro deste ano, Mariana visitou a Universidade de Sydney e levou consigo uma lembrança simbólica, uma pequena pedra recolhida no campus. Naquele momento, ela afirmou que voltaria. “Eu peguei até uma pedrinha lá e falei: eu ainda vou voltar nesse lugar. Quando eu voltar, vou devolver a pedra”, relembra. Meses depois, a promessa se encaminha para a concretização: aprovada para o mestrado, ela desembarca em Sydney em fevereiro de 2027.
Formada em Jornalismo pela PUC Goiás, onde estudou com bolsa, Mariana é ex-aluna da Escola do Futuro de Goiás em Artes Basileu França, e conta que recebeu a notícia da aprovação sem conseguir acreditar. “Eu fiquei sem reação. Liguei para minha mãe e falei: ‘Mãe, lembra daquela bolsa que eu te contei? Eu passei’. Ela chorou, minha irmã chorou também, mas a ficha ainda não tinha caído”, recorda. A dimensão da conquista só ficou mais clara no dia seguinte, ao dividir a notícia com uma amiga de infância. “Sempre foi um sonho meu. Ela me ouve falar desde os meus 12 anos que eu queria estudar fora. Quando eu contei e a gente começou a chorar juntas, aí a ficha caiu”, relata.
A aprovação veio após semanas intensas de preparação, em que precisou reunir documentos, portfólio e cartas de recomendação em um curto espaço de tempo. Em vários momentos, chegou a duvidar da própria possibilidade de aprovação. “Inicialmente eram poucas vagas para o estado inteiro. Eu duvidei muito, mas chegou um momento em que percebi que tinha construído uma trajetória que atendia aos requisitos. Foi quando comecei a acreditar que era possível”, conta.
Segundo ela, a experiência internacional proporcionada pelo Goiás Pelo Mundo foi determinante para ampliar sua percepção sobre o próprio futuro acadêmico. “Eu sempre quis fazer mestrado, mas nunca tinha pensado na Austrália. Quando estive lá, graças ao Governo de Goiás, percebi que aquilo era possível. O programa me mostrou algo que eu nem imaginava antes. Eu entendi que, se já tinha conseguido chegar lá uma vez, poderia voltar”, afirma.
Mariana se define como fruto de oportunidades educacionais que marcaram sua trajetória. Ela estudou na Fundação Bradesco, passou pela Escola do Futuro de Goiás e ingressou na universidade por meio do Enem. Além disso, cursou Jornalismo na PUC Goiás com bolsa de estudos. Por isso, vê a aprovação como uma conquista que ultrapassa sua trajetória individual. “Eu sou fruto desses processos, inclusive do Goiás Pelo Mundo. Essa conquista não é só minha. Ela também pertence a todas as pessoas que acreditam na educação e tornam possíveis iniciativas que mudam a vida de estudantes como eu. Por isso, sinto que tenho o dever de devolver algo para a sociedade”, ressalta. O objetivo agora é aprofundar estudos em comunicação digital, tecnologia e participação cidadã, com foco em contribuir futuramente com iniciativas de impacto social.
A inscrição enviada nos últimos minutos
Se Mariana guarda a lembrança da pedrinha, Sâmi nunca esquecerá a corrida contra o relógio que antecedeu sua candidatura. Formada em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ela precisava apresentar um comprovante de candidatura à universidade chinesa para concluir sua inscrição no Goiás Pelo Mundo. O documento dependia de um pagamento internacional que ainda não havia sido processado.
Foi então que recorreu a uma amiga chinesa que conheceu durante um intercâmbio em Macau. “Eu liguei para ela e falei: ‘Pelo amor de Deus, me ajuda’. Ela fez o pagamento na hora. Eu consegui enviar tudo e finalizei a inscrição faltando quatro minutos para o sistema fechar. Se alguma coisa tivesse dado errado naquele momento, eu provavelmente não estaria aqui hoje”, relembra.
A notícia da aprovação foi vivida como a realização de um projeto construído ao longo de anos. “Foi como ganhar na loteria. Eu saí correndo pela casa para contar para a minha mãe. Nós duas choramos muito. Depois liguei para o meu pai, para a minha avó e para a minha tia. Foi uma comemoração de todas as pessoas que fizeram parte da minha trajetória”, recorda.
O interesse pela China começou em 2023, quando ingressou no Instituto Confúcio da UFG. A partir daí, a experiência acadêmica passou a se consolidar, especialmente após conquistar uma bolsa integral para estudar por um semestre na Universidade Politécnica de Macau, por meio da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), experiência que definiu os rumos de sua carreira.
Agora, ela seguirá para a Zhejiang University, uma das instituições de ensino superior mais prestigiadas da China, onde pretende desenvolver o primeiro levantamento nacional sobre os Institutos Confúcio em atividade no Brasil. “Hoje o Brasil ocupa uma posição muito importante nesse cenário. A minha pesquisa quer reunir dados sobre esses institutos e contribuir para o fortalecimento e a padronização das atividades desenvolvidas por eles”, explica. Para Sâmi, a aprovação também representa uma conquista familiar. “É uma mudança de vida. É uma forma de honrar a minha família inteira. Eu vejo isso como uma conquista geracional”, destaca.
O caminho até a aprovação exigiu ainda a superação da barreira linguística. “O momento mais difícil foi a entrevista. Algumas perguntas foram feitas em chinês e eu ainda estou desenvolvendo minha fluência. Foi uma situação de muita pressão, mas consegui responder e superar esse desafio”, afirma. No futuro, ela pretende contribuir para ampliar o ensino da língua e da cultura chinesa em Goiás. “Eu sei que é um projeto de longo prazo, mas quero ajudar a criar oportunidades para que mais estudantes tenham acesso a esse conhecimento. Quero que tudo comece aqui no nosso estado”, conclui.
Conhecimento que volta para Goiás
As histórias de Mariana e Sâmi refletem o objetivo do Goiás Pelo Mundo – Mestrado Internacional de ampliar o acesso de talentos goianos à formação acadêmica de excelência e fortalecer áreas estratégicas para o desenvolvimento do Estado. Enquanto Mariana pretende aprofundar estudos em comunicação, tecnologia e cidadania, Sâmi busca produzir conhecimento inédito sobre os Institutos Confúcio no Brasil e fortalecer as conexões educacionais entre Goiás e a China.
Para ambas, a experiência internacional representa um compromisso com o retorno do conhecimento. “Existe um mundo gigante aí fora. Existe muito mais além do que o lugar em que você está e esse ambiente atual não determina quem você vai ser”, afirma Mariana. Já Sâmi reforça a importância de organizar o caminho até grandes objetivos. “Organize seus sonhos em pequenas etapas. Quando a gente divide um objetivo grande em tarefas menores, ele deixa de parecer impossível”, orienta.
Nos próximos meses, Austrália e China serão os novos destinos das duas pesquisadoras. O objetivo final, no entanto, é retornar a Goiás com novas perspectivas, experiência internacional e conhecimento aplicado ao desenvolvimento do estado.
