A estratégia já usada por Jair Bolsonaro contra Lula em 2022 e que Flávio decidiu repetir

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Em seu primeiro grande evento público após as recentes controvérsias envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) participou da 34ª edição da Marcha para Jesus, em São Paulo. Ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o parlamentar subiu em um trio elétrico, cantou louvores e fez um discurso com forte conteúdo político (este texto é um resumo do vídeo acima).
Durante sua fala, Flávio classificou a disputa eleitoral como uma “guerra espiritual” e fez uma referência indireta ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal que vai ser expulso do governo desse Brasil esse ano”, declarou. O evento reuniu milhares de fiéis e contou com a presença de diversas autoridades dos três Poderes, reforçando seu peso político em um ano eleitoral.
Por que a fala de Flávio chamou atenção?
Ao analisar o discurso no telejornal VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o colunista Diogo Schelp afirmou que a principal novidade não foi a presença de políticos no evento religioso, mas a retomada de uma narrativa já utilizada por Jair Bolsonaro na campanha presidencial de 2022. Segundo o jornalista, a ideia de uma disputa entre o “bem e o mal” reaparece agora no discurso de Flávio Bolsonaro praticamente nos mesmos termos empregados pelo ex-presidente.
“O Flávio Bolsonaro usou essa expressão de lutar contra o mal. Ele disse que vai extirpar o mal do governo do Brasil”, observou Schelp. O colunista lembrou que, na Marcha para Jesus realizada durante a campanha de 2022, Jair Bolsonaro também classificou a eleição como uma batalha moral e espiritual.
Qual o risco de transformar a eleição em uma disputa entre o bem e o mal?
Para Schelp, o problema não está na polarização política em si, mas na forma como ela é construída. Segundo ele, democracias convivem naturalmente com divergências ideológicas e projetos de país distintos. A preocupação surge quando o adversário deixa de ser tratado como alguém com propostas diferentes e passa a ser retratado como uma ameaça moral que precisa ser eliminada.
“O que é ruim é a polarização tribal em que um adversário é tratado como um mal a ser destruído. Isso é radicalismo”, afirmou. Na avaliação do colunista, discursos dessa natureza tendem a ampliar tensões políticas e podem contribuir para a radicalização do debate público.
Flávio Bolsonaro mudou sua estratégia política?
Schelp destacou que, até recentemente, Flávio Bolsonaro vinha tentando construir uma imagem mais moderada dentro do campo conservador. Segundo ele, esse posicionamento começou a ser pressionado por acontecimentos recentes envolvendo o senador.
O colunista citou as revelações sobre a relação de Flávio com Daniel Vorcaro e a repercussão da viagem do parlamentar aos Estados Unidos, que passou a ser associada por adversários políticos às discussões sobre o chamado tarifaço anunciado pelo presidente americano Donald Trump.
Nesse contexto, a adoção de um discurso mais duro durante a Marcha para Jesus pode indicar uma mudança de estratégia. “Será que o Flávio Bolsonaro está disposto a seguir essa estratégia porque ele vinha se apresentando como um pré-candidato moderado?”, questionou Schelp.
A retórica de 2022 pode funcionar novamente?
Na avaliação do colunista, ainda é cedo para saber se o discurso adotado pelo senador terá a mesma eficácia eleitoral observada em pleitos anteriores. Ele ponderou que o cenário político atual é diferente daquele enfrentado pela oposição em 2022. Schelp observou que agora o governo Lula está no exercício do poder e pode ser julgado diretamente pelos eleitores a partir de resultados concretos de sua gestão. “A gente tem um governo Lula no poder. As pessoas podem verificar se elas estão lidando com o mal absoluto mesmo ou não”, afirmou.
Como a esquerda tentou ocupar espaço no evento?
Embora a Marcha para Jesus seja tradicionalmente associada a lideranças conservadoras e ao eleitorado evangélico, representantes do governo federal também participaram da edição deste ano. O advogado-geral da União, Jorge Messias, esteve presente no evento e fez uma chamada de vídeo com o presidente Lula. Durante a conversa exibida ao público, o presidente explicou sua ausência.
“Eu não participo de nada religioso em época de eleição, porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito de uma coisa sagrada”, afirmou Lula.
Também compareceram à Marcha o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, além de parlamentares, prefeitos e lideranças religiosas de diferentes correntes evangélicas.
Ao reunir representantes da direita, integrantes do governo federal e autoridades do Judiciário, a Marcha para Jesus voltou a demonstrar sua relevância política em um dos segmentos mais disputados do eleitorado brasileiro.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
