Ministro da Fazenda alerta para o impacto econômico da decisão de Trump sobre facções

Ministro da Fazenda alerta para o impacto econômico da decisão de Trump sobre facções

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A classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas pelo governo dos Estados Unidos pode provocar efeitos negativos sobre o sistema financeiro e aumentar a percepção de risco em relação ao Brasil, segundo afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista na estreia do telejornal VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal. Embora tenha reafirmado o compromisso do governo com o combate ao crime organizado, o ministro demonstrou preocupação com possíveis consequências econômicas da medida da gestão Donald Trump (este texto é um resumo do vídeo acima).

Segundo Durigan, as principais vítimas das facções criminosas são os próprios brasileiros e toda iniciativa que ajude a combatê-las deve ser considerada positiva. O ministro, porém, fez uma ressalva sobre a forma como a decisão pode ser utilizada. “Tudo o que puder ajudar no combate a essas organizações criminosas é bem-vindo. O que nós não podemos admitir é faca no pescoço, pressão indevida, intimidação”, afirmou.

Quais podem ser os impactos imediatos da medida?

Na avaliação do ministro, os primeiros efeitos podem atingir o sistema financeiro. Segundo ele, instituições financeiras já estão elevando gastos para evitar eventuais sanções por parte das autoridades americanas, movimento que tende a ser repassado aos clientes. “Muito provavelmente vai ter mais taxa bancária e tarifa bancária, mais custos que acabam sendo repassados para o tomador final”, disse. Durigan afirmou que bancos e demais instituições do setor acompanham com preocupação os desdobramentos da decisão e os riscos de punições por parte do Tesouro americano.

O ministro também demonstrou preocupação com os efeitos de longo prazo. Segundo ele, a medida pode gerar uma percepção de maior risco para investidores internacionais. “Pode prejudicar investimentos em infraestrutura, na bolsa de valores e eventuais investimentos em obras públicas e projetos de mais longo prazo”, afirmou.

O governo ainda tenta ampliar a cooperação com os Estados Unidos?

Ao ser questionado por Marcela Rahal sobre a possibilidade de reversão da decisão, Durigan afirmou que o governo brasileiro tem buscado manter o diálogo com as autoridades americanas. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou apoio dos Estados Unidos para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado e compartilhou resultados de operações conduzidas por órgãos brasileiros.

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O ministro citou investigações que identificaram recursos do crime organizado movimentados pelo sistema financeiro e enviados aos Estados Unidos. Segundo ele, o governo brasileiro defende o aprofundamento da cooperação para localizar ativos ocultos no exterior e fortalecer o combate ao tráfico de armas e drogas sintéticas.

Durigan também revelou insatisfação com a forma como a classificação foi anunciada. “O Departamento de Estado não nos avisou com antecedência sobre essa designação”, afirmou. Ainda assim, garantiu que manterá canais de diálogo abertos com o governo americano. “Eu sempre vou ter diálogo aberto com quem quer que seja e, em especial, autoridades de um país importante como os Estados Unidos.”

Como o ministro avalia a economia ao fim do mandato?

Questionado pelo editor da coluna Radar, Robson Bonin, sobre o legado econômico da atual gestão, Durigan afirmou que o governo entregará o país em situação melhor do que a encontrada no início do mandato. “Nós vamos entregar o país muito melhor do que a gente recebeu. Eu não tenho dúvida nenhuma disso”, declarou. Para sustentar sua avaliação, o ministro citou indicadores de emprego, inflação e crescimento econômico. Segundo ele, o país registra desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento acima das projeções feitas pelo mercado. “A gente cresceu muito mais do que se projetava”, afirmou.

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Durigan também defendeu a condução das contas públicas e disse que o governo tem conseguido cumprir as metas fiscais estabelecidas para o próprio mandato. Segundo ele, o orçamento previsto para 2027 será apresentado sem passivos ocultos ou compromissos que possam comprometer a administração seguinte. “Não tenho dúvida nenhuma de que o orçamento que nós vamos apresentar para 2027 é um orçamento robusto, que não tem armadilha embutida”, afirmou.

O que esperar das negociações comerciais com Washington?

A entrevista também abordou as negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre tarifas comerciais e a investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação americana. Segundo Durigan, o governo respondeu a todos os questionamentos apresentados pelas autoridades americanas e considera que os esclarecimentos foram bem recebidos. Apesar disso, o ministro afirmou enxergar uma disposição de Washington para manter barreiras comerciais contra o Brasil. “Nos parece que permanece ali uma intenção dos Estados Unidos de colocar uma tarifa adicional no Brasil”, disse.

Durigan argumentou que a relação comercial entre os dois países não justificaria medidas punitivas contra o Brasil. “Não cabe falar de punição, de sanção ao Brasil por conta da relação bilateral”, afirmou. Para ele, as discussões devem se concentrar em setores específicos, como etanol, soja e carne, sem que disputas políticas interfiram na relação econômica.

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Qual foi a avaliação de Durigan sobre o caso BRB?

Perguntado sobre o acordo relacionado ao Banco Regional de Brasília (BRB), Durigan classificou como grave a origem dos problemas enfrentados pela instituição no caso do Banco Master e afirmou que a responsabilidade pela recuperação financeira do banco cabe ao Governo do Distrito Federal. “O que eu disse que era inadmissível foi fazer com que todo o país pagasse a conta do BRB”, afirmou.

Segundo o ministro, o acordo firmado não prevê recursos federais para cobrir os prejuízos da instituição. Durigan afirmou que o Governo do Distrito Federal terá de apresentar um plano de recuperação e assumir os custos decorrentes da crise. “É o próprio GDF que vai ter que pagar essa conta”, declarou, ao defender que a solução para o banco seja conduzida pela administração distrital.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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