Mercado brasileiro de olho nos juros americanos

Mercado brasileiro de olho nos juros americanos

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O cenário externo é o foco do mercado esta semana no Brasil mais especificamente o que o Federal Reserve – o Banco Central americano – vai decidir sobre os juros americanos que hoje estão entre 3,5% e 3,75%. O economista-chefe da Garantia Capital, André Perfeito, avalia que o Fed deve manter a taxa inalterada por mais algum tempo. Na visão dele, o cenário ainda não reúne condições suficientes para uma redução imediata dos custos de financiamento da maior economia do mundo, o que mantém os mercados atentos aos próximos movimentos da autoridade monetária americana.

Custo para o Brasil

Para o Brasil, um eventual corte de juros nos Estados Unidos neste momento poderia trazer efeitos indesejados. Perfeito argumenta que a redução dos juros americanos tenderia a fortalecer ainda mais o real frente ao dólar, dificultando a vida dos exportadores brasileiros. “Eu acho que nesse sentido seria melhor que o banco central americano não cortasse a taxa de juro por lá. Para quem exporta, o setor agro está passando uma dificuldade gigantesca e não é bom ver esse real se apreciar tão fortemente desse jeito”, concluiu.

Pressão de Trump não será levada em conta

Segundo Perfeito, apesar da pressão política exercida pelo presidente Donald Trump sobre o Fed, a influência do mercado financeiro continua sendo determinante na formação das expectativas. “A expectativa é que se mantenha ali a taxa de juro inalterada mais um pouco”, afirmou. Para ele, as declarações e cobranças feitas pelo presidente americano ao banco central não chegam a alterar, sozinhas, o rumo da política monetária.

Investidores seguem acreditando nos fundamentos da economia americana

O economista observou que o nível de interferência política nos Estados Unidos é significativamente maior do que o observado em outros países. “Isso daí é coisa, é nada perto do que o Trump está fazendo pro Banco Central norte-americano, né? Outro é um nível de interferência ou de fala muito mais forte”, disse. Ainda assim, ele pondera que os investidores seguem reagindo de forma racional aos fundamentos econômicos.

Incertezas absorvidas

Na avaliação de Perfeito, os mercados de títulos públicos americanos já absorveram boa parte dessas incertezas. “Não acho que é o fim do mundo essas interferências do Trump, porque o mercado tá fazendo o trabalho dele do outro lado, por assim dizer”, afirmou. Ele destaca que os juros dos títulos de longo prazo, especialmente os de 10 anos e 30 anos, já passaram por ajustes importantes e apresentam sinais de estabilização.

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Papéis de longo prazo

O foco dos investidores, segundo ele, está justamente nesses papéis de longo prazo. “Mas os Estados Unidos, todo mundo olha mais os juros de 10 e 30 anos, particularmente os juros de dez anos, que é o juro que tá na mão do mercado”, explicou. Esses títulos funcionam como referência para diversas operações financeiras globais e ajudam a medir a percepção de risco e crescimento da economia americana.

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