Investigação que colocou o Pix na mira dos EUA estaria entrando na reta final

Investigação que colocou o Pix na mira dos EUA estaria entrando na reta final

A investigação comercial aberta pelo governo de Donald Trump contra o Brasil em julho de 2025 estaria próxima de sua conclusão. Conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), a apuração analisa se políticas e práticas adotadas pelo país prejudicam empresas americanas e podem justificar medidas de retaliação comercial.

A investigação foi instaurada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento frequentemente utilizado por Trump para pressionar parceiros comerciais e fundamentar sanções econômicas. O escopo da apuração é amplo. Os americanos afirmam investigar desde supostas barreiras enfrentadas por empresas de tecnologia e meios de pagamento até questões relacionadas a tarifas de importação, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado brasileiro de etanol e políticas de combate ao desmatamento ilegal.

Entre os pontos que mais chamaram atenção esteve o questionamento ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Em documento divulgado em 2025, o USTR afirmou que o Brasil parecia adotar práticas que favoreciam um serviço de pagamento eletrônico desenvolvido pelo governo, numa referência ao Pix, criado pelo Banco Central.

O Pix acabou se tornando um dos símbolos do embate comercial entre os dois países. Autoridades americanas e empresas do setor de pagamentos argumentaram que o sistema poderia representar uma vantagem competitiva para um serviço estatal em detrimento de companhias privadas. O governo brasileiro sempre rejeitou essa interpretação e sustentou que o modelo ampliou a inclusão financeira e não impede a atuação de concorrentes privados.

Além dos meios de pagamento, os Estados Unidos também apontaram preocupações a comercialização de produtos falsificados. O USTR chegou a citar a Rua 25 de Março, em São Paulo, como exemplo de preocupação relacionada à pirataria.

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Quando anunciou a abertura da investigação, em julho do ano passado, Trump vinculou a iniciativa a um conjunto mais amplo de críticas ao Brasil. O republicano também usou as conclusões preliminares da apuração como parte da justificativa para o tarifaço imposto aos produtos brasileiros em 2025.

Caso a investigação conclua que práticas brasileiras prejudicam empresas americanas, o governo dos Estados Unidos poderá utilizar o relatório como base para novas medidas comerciais contra o país. A Seção 301 já foi usada anteriormente por Trump em disputas com parceiros comerciais, incluindo a China, e costuma servir de fundamento para tarifas, sanções e outras formas de pressão econômica

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