O preço da traição partidária: pesquisa mostra que Soraya Thronicke pode ficar fora do Senado
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A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) foi eleita senadora em 2018 pelo PSL com o apoio do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Mas ao longo do mandato, ela se aliou ao governo Lula a partir de 2023, votando todas as matérias de interesse do governo e defendendo a família do presidente durante a CPMI do INSS.
Esta semana, durante um evento em Anastácio (MS), Soraya anunciou que vai apoiar a reeleição do presidente Lula e teceu elogios ao petista. “O presidente Lula me deixou de queixo caído mesmo, pela humanidade, pela forma de agir”, disse a senadora.
Pesquisa feita esta semana com 1.000 eleitores mostrou que a mudança ideológica de Soraya pode cobrar um preço alto. A senadora aparece em quarto lugar na preferência do eleitor e pode ficar fora do Senado a partir do ano que vem. A pesquisa foi encomendada pela Federação das Indústrias do Mato Grosso do Sul ao Instituto Opinião, que está mudando de nome para Indexa Pesquisas, mas mantém o mesmo CNPJ.
No primeiro cenário da pesquisa estimulada para as duas vagas ao Senado no Mato Grosso do Sul, o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) aparece em primeiro lugar, com 38,7% da preferência do eleitor, seguido pelo ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), com 33,7%, o senador Nelsinho Trad (PSD), que pontua 26,1%, e Soraya Thronicke, com 16,6%. A senadora não garante vaga ao Senado em nenhum dos cenários pesquisados.

O sociólogo Arilton Freres, diretor do Instituto Opinião, diz que a trajetória política da senadora Soraya ajuda a explicar o desempenho dela nas pesquisas. “Ela foi eleita em 2018 com apoio da base bolsonarista, disputou a Presidência da República em 2022 já em uma posição mais independente e, hoje, está alinhada ao campo político do presidente Lula. Ao longo dos últimos anos, Soraya passou a dialogar com um eleitorado diferente daquele que a elegeu”, diz Arilton. “Essa mudança de base de apoio pode estar relacionada à dificuldade que ela enfrenta para reproduzir o desempenho eleitoral do passado e consolidar sua candidatura à reeleição”.
A pesquisa confirma a força da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no estado, dominado pelo agronegócio. Na estimulada do primeiro turno, Flávio tem 42% e Lula 32,1%. O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) e, 3,3% e o ex-governador de Minas, Romeu Zema (Novo) tem 3,1%. Na pesquisa estimulada para o segundo turno, Flávio pontua 50,9% e Lula tem 34,7%.

Lula, no entanto, vem ganhando a dianteira de Flávio Bolsonaro em outras pesquisas nacionais desde que o senador foi flagrado pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para finalizar o filme Dark Horse (azarão) sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na pesquisa estimulada para o governo do Mato Grosso do Sul, o atual governador Eduardo Riedel (PP) aparece em primeiro lugar, com 42,9% da preferência do eleitor, seguido pelo ex-deputado por Fábio Trad (PT), que tem 14,8%.“Os dados mostram que Eduardo Riedel entra no processo eleitoral com uma vantagem construída a partir da força da máquina estadual, da baixa fragmentação do seu campo político e da dificuldade dos adversários em se consolidarem como alternativa competitiva neste momento”, diz Freres.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números BR-07535/2026 e MS-02139/2026.
