Edson Cordeiro relata abuso sexual cometido por pastor na adolescência

Edson Cordeiro relata abuso sexual cometido por pastor na adolescência

O discurso da pastora Helena Raquel, líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra, durante o Congresso dos Gideões em Balneário Camboriú (SC), no último dia 2 de maio, trouxe à tona um tema historicamente silenciado nos púlpitos evangélicos: os casos de pedofilia e abuso sexual cometidos por pastores. Em uma pregação de uma hora e vinte minutos, a religiosa acusou lideranças de acobertarem agressores e ignorarem vítimas, expondo uma cultura de proteção institucional que, segundo ela, precisa ser enfrentada dentro das próprias igrejas. A fala, considerada inédita para uma liderança de seu porte, repercutiu nas redes sociais e encorajou vítimas a romperem o silêncio — mostrando que os abusos no ambiente religioso não atingem apenas mulheres, mas também homens que passaram décadas calados.

O cantor Edson Cordeiro, 59,  lembra com dor os primeiros passos na igreja: “Quando tinha uns 6 anos, minha mãe começou a ir à igreja do Evangelho Quadrangular porque meu pai sempre foi alcoólatra e ela estava atrás de um milagre para curá-lo”, afirma o paulista. Filho de três irmãs, ele gostava do louvor e da música, mas, aos 14 anos, sofreu abuso de um líder carismático e querido pela comunidade “A igreja reprimia muito a sexualidade. O pastor mandava orar todo dia à noite para não ter sonhos eróticos. Eu levava muito a sério”, disse a VEJA.

Apesar de ter uma namorada na igreja, Edson sentia atração por homens e buscou ajuda espiritual. “Contei para ela pra gente poder orar, e ela falou para o pastor. No primeiro momento, ele ficou quieto. Depois, me chamou para ir na casa dele para fazer música. E foi aí que aconteceu o abuso”, contou. Em choque, sem dormir, ele ouvia o abusador dizer que deveriam orar a Deus, mas teve forças para ir embora. “Ele queria me dominar pela culpa”, crava. O que o salvou, segundo ele, foi o acolhimento de sua família: “Elas me acolheram e me resgatou imediatamente. Todos saíram dessa igreja”. 

Leia mais: https://veja.abril.com.br/brasil/mulheres-vitimas-de-assedio-sexual-nas-igrejas-evangelicas-quebram-o-silencio/

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