Ações dos EUA contra facção da Venezuela indicam o que pode ocorrer com PCC e CV

Ações dos EUA contra facção da Venezuela indicam o que pode ocorrer com PCC e CV

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O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) não serão as primeiras organizações criminosas latino-americana classificadas como “terroristas” pelo governo de Donald Trump. Os bandos brasileiros se juntam aos principais cartéis mexicanos (Sinaloa, Jalisco Nueva Generación e Noreste) e ao venezuelano Tren de Aragua. Contra os grupos criminosos do México e da Venezuela, os Estados Unidos aplicaram sanções financeiras e colocaram líderes procurados na lista de recompensas por informações que levem aos acusados.

Em junho de 2025, por exemplo, o Departamento de Estado americano, chefiado por Marco Rubio, sancionou economicamente cinco líderes do cartel Jalisco, grupo considerado “implacável e violento responsável pelo tráfico de fentanil, metanfetamina, cocaína e outras drogas ilícitas para os Estados Unidos”. Na ocasião, o governo americano ofereceu 15 milhões de dólares por informações de Ruben Oseguera Cervantes, o El Mencho, que foi morto em operação militar do México em fevereiro deste ano. “Esta ação segue a recente designação do Jalisco como Organização Terrorista Estrangeira  e Terrorista Global Especialmente Designado”, classificações que enquadrarão PCC e CV a partir de 5 de junho próximo, como definiu o governo Trump nesta quinta-feira, 28

EUA ofereciam 15 milhões de dólares em recompensa por informações sobre El Mencho
EUA ofereciam 15 milhões de dólares em recompensa por informações sobre ‘El Mencho’ (Reprodução/Reprodução)

Bando da Venezuela entrou na mira

O Tren de Aragua atua com tráfico de drogas, extorsão, prostituição e contrabando de pessoas (coiotes, comuns na América Central). No Brasil, segundo autoridades públicas, o grupo tem parceria com o PCC. A atuação da organização criminosa ocorre, até o momento, em Roraima, Amazonas, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre lavagem de dinheiro, tráfico e prostituição, a organização criminosa tenta permanecer próxima de fronteiras do Brasil com os países de língua espanhola, o que facilita o trâmite de novas ações criminosas. Eles seguem a rota da migração feita por milhares de venezuelanos atingidos pela crise humanitária diante da ditadura de Nicolas Maduro.

O Departamento de Tesouro dos Estados Unidos também sancionou integrantes do grupo criminoso venezuelano. “Todos os bens e participações em bens da entidade designada que estejam nos Estados Unidos ou na posse ou controle de pessoas dos EUA devem ser bloqueados e comunicados. Além disso, quaisquer entidades que sejam detidas, direta ou indiretamente, em 50% ou mais por uma ou mais pessoas bloqueadas também serão bloqueadas”, informaram em meados de 2024. 

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Nos Estados Unidos, integrantes do Tren de Aragua foram presos em Nova York acusados de tráfico e crimes como furto. A preocupação americana com o crescimento do grupo é tamanha que a administração Trump oferece até 12 milhões de dólares por informações dos líderes do grupo. 

Guerrero: Líder máximo do Tren de Aragua
Guerrero: Líder do Tren de Aragua (Departamento de Tesouro dos EUA/Reprodução)

Em setembro do ano passado, VEJA mostrou que o Brasil se tornou campo de atuação de grandes organizações mafiosas, o que inclui o Tren de Aragua. Os três principais nomes do bando criminoso estão foragidos — e podem estar até no Brasil. O número um é Hector Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, 41 anos, que já está no radar das polícias não apenas venezuelanas, mas também da Colômbia, Equador, Chile, Peru, Brasil e EUA. Ele foi condenado por homicídios, tráfico e contrabando. “Niño Guerrero está envolvido em atividades criminosas há mais de duas décadas e transformou o Tren de Aragua de uma gangue prisional envolvida em extorsão e suborno em uma organização com crescente influência em todo o Hemisfério Ocidental”, cita o Departamento de Tesouro dos EUA, que oferece 5 milhões de dólares por informações sobre Guerrero.

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Em 2023, policiais da Venezuela invadiram o presídio de Tocorón, a menos de 150 quilômetros da capital Caracas, na tentativa de desarticular o Tren de Aragua, o que não aconteceu. Na ocasião, as autoridades citaram que Guerrero fugiu por um túnel e teria sido avisado por agentes corruptos da ação policial na cadeia. Desde então, ele é considerado foragido e já foi citado que poderia estar nos EUA, mas também pode ter se escondido no Brasil, diante da praticamente inexistente fiscalização da fronteira no Norte do país. A acusação contra Maduro na Corte do Distrito Sul de Nova York, de envolvimento com narcotráfico, coloca como réus, além do ditador deposto e sua esposa, o filho do líder venezuelano, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Niño Guerrero.

Petrica: na cúpula da organização
Petrica: na cúpula da organização (Departamento de Tesouro dos EUA/Reprodução)

Ainda segundo informações do governo dos EUA, um dos aliados mais próximos de Niño Guerrero é Yohan José Romero, conhecido como Johan Petrica, 47 anos. “É responsável pelos esforços ilegais de mineração do grupo na Venezuela. Além disso, Johan Petrica fornece ao Tren de Aragua armas de nível militar usadas para controlar as ruas da Venezuela e combater a guerrilha colombiana”, informou o Departamento de Tesouro americano.

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Em 2015, por exemplo, Petrica foi visto em Las Claritas, cidade conhecida pela mineração de ouro nas fronteiras venezuelanas com Brasil e Guiana. “As minas perto de Las Claritas contêm as maiores jazidas de ouro da Venezuela e a quarta maior do mundo. Em pouco tempo, Petrica ganhou o controle total da área para Tren de Aragua”, diz o governo americano. Por informações sobre ele, os EUA oferecem 4 milhões de dólares (21 milhões de reais). Segundo informações de autoridades públicas, ele tem um filho brasileiro. Em julho do ano passado, o governo americano sancionou cinco pessoas — entre elas Guerrero e Petrica — ligados ao topo do comando do Tren de Aragua.

Um terceiro criminoso do Tren de Aragua que está entre os nomes da cúpula da organização criminosa é Giovanni Vicente MosqueraSerrano, 37 anos. Ele entrou na lista dos 10 mais procurados do FBI em julho do ano passado por ser “procurado por inúmeras acusações federais”, divulgou a polícia americana. O FBI classifica o Tren de Aragua como uma violenta gangue transnacional e organização terrorista estrangeira designada que se originou na Venezuela e agora opera em toda a América Latina e nos Estados Unidos. “Tren de Aragua é supostamente responsável pelo envio de membros de gangues para os EUA que se envolvem em tráfico de drogas, tráfico de pessoas, tráfico de armas e crimes violentos. Mosquera Serrano deve ser considerado armado e perigoso.

Giovanni Vicente: na mira do FBI
Giovanni Vicente: na mira do FBI (FBI/Reprodução)

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