China denuncia ‘abuso da Justiça’ em acusação dos EUA contra Raúl Castro

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A China reagiu nesta quinta-feira, 21, à acusação formal do ex-presidente cubano Raúl Castro, irmão de Fidel Castro, por assassinato anunciada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Em declaração, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, disse que Pequim se opõe ao “abuso de meios judiciais” e à pressão exercida sobre Cuba.
“A China sempre se opôs firmemente às sanções unilaterais ilegais, que carecem de fundamento no direito internacional e (…) se opõe ao abuso dos meios judiciais. Se opõe às pressões exercidas por forças externas contra Cuba, sob qualquer pretexto”, declarou o porta-voz chinês à imprensa ao ser questionado sobre as acusações apresentadas pelos Estados Unidos.
Jiakun afirmou ainda que a China apoia firmemente a ilha “na defesa de sua soberania e dignidade nacionais”, opondo-se, ao mesmo tempo, à interferência estrangeira.
Castro, de 94 anos, apareceu em público pela última vez em Cuba no início deste mês. Não há evidências de que ele tenha deixado a ilha desde então, ou de que o governo permita sua extradição. Importante figura na revolução cubana, ele ajudou a derrotar a invasão americana da Baía dos Porcos, em 1961, e serviu como ministro da Defesa por décadas. Sucedeu seu irmão como presidente em 2008 e deixou o cargo oito anos atrás, mas permanece uma figura poderosa nos bastidores da política cubana.
Entenda acusação
O indiciamento, apresentado em um tribunal federal em Miami em 23 de abril, acusa Castro de conspiração para matar cidadãos americanos, quatro assassinatos e destruição de aeronaves. Outras cinco pessoas também são rés no caso, que remonta ao abate fatal de aviões operados pelo grupo humanitário Hermanos al Rescate (irmãos ao resgate, na tradução livre), em 1996, de acordo com o procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche. Em fevereiro daquele ano, caças MiG-29 da Força Aérea de Cuba derrubaram duas aeronaves desarmadas, pertencentes ao grupo fundado por exilados cubanos, em espaço aéreo internacional, resultando na morte de quatro pilotos.
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Na época, o governo cubano argumentou que o ataque foi uma resposta legítima à invasão do espaço aéreo do país. Fidel Castro disse que seus militares agiram sob “ordens permanentes” para abater aviões que violassem os céus de cuba — e garantiu que o irmão Raúl, então ministro da Defesa, não deu uma ordem específica para atirar. No entanto, além dos Estados Unidos, a Organização da Aviação Civil Internacional concluiu posteriormente que o abate ocorreu em águas internacionais.
A acusação surge em um momento em que o presidente americano, Donald Trump, aumenta a pressão por uma mudança de regime em Cuba, onde os comunistas de Castro estão no poder desde que seu falecido irmão, Fidel, liderou a revolução cubana em 1959. Washington efetivamente impôs um bloqueio à ilha caribenha ao ameaçar com sanções países que exportam combustível para lá. A medida provocou apagões generalizados e prejudicou ainda mais sua frágil economia, levando os cubanos às ruas.
Quando ficou claro que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos pretendia apresentar acusações contra Raúl Castro, começaram especulações de que as forças americanas poderiam realizar uma operação militar de extração em Havana, da mesma forma que fizeram contra Nicolás Maduro, na Venezuela, em janeiro.
De acordo com o portal de notícias Politico, Trump e seus assessores estão cada vez mais frustrados com o fato da campanha de pressão não ter levado os líderes cubanos a concordarem com reformas econômicas e políticas significativas. Por isso, passaram a considerar a opção militar com mais seriedade do que antes.“O clima definitivamente mudou”, afirmou uma autoridade ao portal.
