Focus mantém inflação pressionada e indica juros elevados por mais tempo

As projeções do mercado financeiro seguem apontando para um cenário de inflação persistente e juros elevados no Brasil, de acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central.
Para 2026, a estimativa mediana para o IPCA subiu para 4,80%, permanecendo acima do centro da meta de inflação, o que reforça a leitura de que o processo de desinflação deve ocorrer de forma mais lenta do que o esperado. Já para 2027, a projeção também segue pressionada, em 3,84%.
No campo da política monetária, o mercado ajustou novamente para cima a expectativa da taxa Selic para 2026, que passou para 13,00%, indicando a percepção de que o Banco Central deve manter uma postura mais cautelosa diante das incertezas inflacionárias. Para 2027, a taxa é projetada em 10,50%, ainda em patamar elevado.
A atividade econômica, por outro lado, mostra sinais de moderação. A projeção para o crescimento do PIB em 2026 foi mantida em 1,81%, indicando um ritmo mais contido, enquanto para 2027 a expectativa é de expansão de 1,90%. O cenário sugere uma economia que continua crescendo, mas sem força suficiente para acelerar de forma consistente.
No câmbio, as estimativas seguem relativamente estáveis, com o dólar projetado em 5,30 reais para 2026 e 5,45 reais em 2027, refletindo um ambiente externo ainda incerto e a influência das condições globais sobre os ativos domésticos.
Outro ponto de atenção está no setor externo. O déficit em conta corrente deve permanecer elevado, enquanto o investimento direto no país segue robusto, com projeção de entrada de 70 bilhões de dólares em 2026, o que ajuda a financiar o desequilíbrio externo.
No curto prazo, os dados também mostram pressão inflacionária relevante. Para abril de 2026, a expectativa do IPCA subiu para 0,66%, enquanto maio e junho seguem com projeções de 0,31% e 0,27%, respectivamente, indicando uma inflação corrente ainda resistente.
O conjunto das projeções reforça um cenário de equilíbrio delicado: inflação acima da meta, juros elevados e crescimento moderado. Para o mercado, isso significa um ambiente de maior seletividade, com impacto direto sobre crédito, consumo e decisões de investimento ao longo dos próximos meses.
