Copa de 2026 ainda não decola nos EUA e levanta dúvidas sobre ‘boom’ prometido

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A dois meses do início da Copa do Mundo de 2026, a promessa de um impacto econômico bilionário ainda não saiu do papel — e começa a ser tratada com cautela até por quem mais apostou nela. Em análise publicada pelo “The New York Times”, o cenário desenhado é de um evento que pode, sim, movimentar o turismo, mas longe do “tsunami” de visitantes previsto pela FIFA.
Quando os Estados Unidos, Canadá e México foram confirmados como sedes, o discurso era de multidões internacionais e hotéis lotados. Na prática, o que se vê até agora é um mercado em ajuste: diárias que chegaram a subir mais de 300% começaram a cair — em alguns casos, mais de 40% — diante de uma demanda que não acompanhou o otimismo inicial.
Executivos do setor hoteleiro já admitem que o cenário está aquém do esperado. Parte da frustração vem de uma combinação de fatores que o jornal destaca: o custo elevado da viagem, ingressos mais caros do que em edições anteriores e um contexto global que tem desestimulado deslocamentos internacionais. A expectativa de que até metade do público fosse estrangeiro também não se confirma — em algumas cidades, essa fatia não chega a um terço.
Há ainda questões estruturais. Bloqueios antecipados de quartos feitos pela própria FIFA criaram uma sensação artificial de alta demanda, seguida por cancelamentos que devolveram milhares de vagas ao mercado. O resultado foi um efeito inverso: preços inflados demais no início e correções bruscas na reta final.
A análise também aponta para um pano de fundo mais amplo: o turismo internacional para os Estados Unidos ainda não se recuperou plenamente e enfrenta entraves como vistos, custos adicionais e até percepções políticas sobre o país. Tudo isso pesa na decisão de viajar, especialmente para famílias.
Ainda assim, o veredito não está fechado. Há uma aposta relevante de que as fases decisivas do torneio, mais imprevisíveis, impulsionem reservas de última hora. O cenário mais provável, porém, segundo o Times, é de um crescimento moderado — um impulso real, mas distante do espetáculo econômico prometido anos atrás.
