Ricardo Nunes: “Flávio será eleito”

Ricardo Nunes: “Flávio será eleito”

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A pouco menos de seis meses das eleições, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), prega apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida ao Planalto e declara embarque “de corpo e alma” na campanha à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo. Aprovado por dois em cada três paulistanos, segundo o Paraná Pesquisas, e responsável por impingir dura derrota à esquerda liderada por Lula nas eleições de 2024, ele diz que o petista será o principal afetado pelos escândalos que assombram o país, como os do Banco Master e do INSS. Para Nunes, os estilhaços das investigações também expõem atuações impróprias de magistrados e afetam a imagem do Supremo Tribunal Federal. Segundo o prefeito, tudo pode mudar com a atuação firme do ministro André Mendonça, relator dos dois casos. “Ele traz esperança de que a mais alta corte do país restabeleça a credibilidade junto com o povo”, diz.

De que forma o senhor vai ajudar na elaboração do plano de governo de Flávio Bolsonaro? Vamos atuar em três temas fundamentais, nos quais temos tido experiências muito positivas na cidade de São Paulo. A primeira questão é a segurança, com o Smart Sampa, que usa tecnologia, inteligência artificial e reconhecimento facial para prender procurados e ajudar nas investigações e no combate à criminalidade. O Flávio até falou de fazer o Smart Brasil com estados e prefeituras. Outro ponto é a segurança alimentar. Instituímos programas como o Armazém Solidário, no qual produtos alimentícios, de higiene e de limpeza são vendidos com até 50% de desconto para pessoas de baixa renda. Também criamos as cozinhas-escolas. Ganhamos do Guinness no ano passado o título de maior programa municipal de segurança alimentar do mundo. O terceiro ponto é o transporte coletivo. Estamos substituindo a nossa frota de ônibus a diesel por modelos elétricos, e isso dá um ganho enorme para o meio ambiente, para a qualidade do ar e para a condição de vida das pessoas.

Pesquisas mostram crescimento de Flávio em relação a Lula. A oposição pode vencer? Flávio será o próximo presidente. A rejeição de Lula é muito grande porque é um governo que não tem nenhuma responsabilidade fiscal e leva o país a uma situação econômica ruim. Quem mais perde é a população pobre. Flávio pode ganhar no primeiro turno. Isso vai depender da conjuntura dos candidatos de direita e centro-direita, se o ex-governador Ronaldo Caiado realmente vai se manter candidato. Se houver uma concentração dos candidatos de centro-direita em torno de Flávio, acho que ele leva no primeiro turno.

Quais pontos negativos do atual governo serão explorados? Uma coisa que vai repercutir muito na eleição é a questão econômica. O Brasil tem hoje a segunda maior inflação do mundo, perdendo só para a Turquia. Temos uma taxa de juros Selic de quase 15% ao ano e isso prejudica muito as pessoas. Um empresário que quer ampliar o seu negócio, gerar emprego e renda, fica impossibilitado. A dona de casa, ou o trabalhador, que faz um financiamento para comprar uma geladeira, um fogão, um carro paga duas, três vezes o valor daquele bem.

“A rejeição de Lula é muito grande porque é um governo que não tem nenhuma responsabilidade fiscal e leva o país a uma situação econômica ruim. Quem mais perde é a população pobre”

O governo Lula rebate as críticas falando de indicadores como uma baixa taxa de desemprego e um bom crescimento médio do PIB. Há pontos positivos na gestão? Há um desarranjo das contas públicas. Tivemos recentemente a comemoração dos 25 anos da Lei de Responsabilidade Fiscal, mas parece que o governo Lula desconsidera essa lei. Nos últimos doze meses, batemos um recorde, com 1 trilhão de reais só de pagamento dos juros da dívida. Se você somar todo o orçamento da Saúde e da Educação e dobrar, ainda não dá esse valor.

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Na última eleição, parte do MDB, inclusive a presidenciável Simone Tebet, apoiou Lula e ganhou ministérios. Qual será a posição agora do partido do senhor? No segundo turno de 2022, não houve adesão do MDB a Lula. O partido liberou seus militantes, tanto é que eu apoiei Bolsonaro. A Tebet, numa atitude altamente individual, fez o apoio dela para Lula e conseguiu um cargo de ministra. Para este ano, ainda vai depender da convenção, mas é muito provável que o MDB opte por ter independência. Em São Paulo, vamos apoiar Flávio Bolsonaro para presidente. E é absolutamente certo que Tarcísio de Freitas seguirá sendo nosso governador.

Tebet migrou para o PSB e será candidata ao Senado por São Paulo, mesmo sendo de Mato Grosso do Sul. Como avalia essa guinada? Não sei o que ela vai fazer em São Paulo. Ela disse à imprensa que iria fazer aquilo que Lula mandasse. Achei muito estranho uma mulher daquele gabarito dizer que tem que se submeter a uma situação dessa. Acho muito ruim. São Paulo precisa de senador que seja do estado, que tenha compromisso com o estado. O movimento dela é até uma forma de desrespeito com as pessoas de Mato Grosso do Sul. Como ministra do Planejamento, sabe o que ela ajudou em São Paulo? Nada, nunca. Como é que a pessoa que nunca ajudou o estado vai querer vir aqui e levar os votos? Obviamente, a população de São Paulo não vai cair nisso.

Sobre as vagas ao Senado pela chapa de Tarcísio, uma deverá ser de Guilherme Derrite (PP). Seu vice, Mello Araújo (PL), é cotado para a outra. Quem o senhor apoia? Se for desejo do Mello e se tiver o aval do grupo político, vai ter todo o meu apoio. Tem outros nomes muito bons, como o André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, e a Sonaira Fernandes (PL), uma vereadora guerreira. Temos muitas pessoas boas da cidade e do estado, que não são aventureiras.

Como vai participar da campanha de Tarcísio? Vou estar de corpo e alma para que ele possa ser reeleito, para que dê continuidade ao trabalho. Não se pode correr o risco de eleger Fernando Haddad, o pior prefeito da história da cidade de São Paulo. O Tarcísio tem feito esse trabalho de deixar o estado com protagonismo no país, com o desenvolvimento de oportunidades. Ele criou a tabela SUS paulista, que paga três vezes mais que a do governo federal. Entregou o monotrilho da Linha 17-Ouro, o metrô do Aeroporto de Congonhas, que o Geraldo Alckmin prometera para a Copa de 2014.

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Tanto Haddad quanto Lula sinalizam que vão disputar a paternidade de obras como Rodoanel e linhas de metrô. Isso tem potencial para ameaçar a candidatura de Tarcísio? Sabe quanto recebemos do PAC? Zero. Cerca de 35% da arrecadação federal é proveniente de São Paulo, mas para o estado voltam só 19%. O que tem é financiamento. O BNDES é um banco e tem a obrigação de financiar. A população de São Paulo não é besta.

Pesquisas mostram que Haddad tem pontuado na casa dos 40% contra Tarcísio, que ainda é o favorito. Ele não pode representar uma ameaça? O Haddad foi prefeito durante quatro anos e a população deu um cartão vermelho para ele: Haddad perdeu a reeleição no primeiro turno. Foi um governo muito ruim. Não podemos correr o risco de ter o pior ministro da Fazenda que o Brasil já teve, que expulsou as empresas para o Uruguai e o Paraguai, dirigindo o estado de São Paulo, que é a locomotiva econômica do Brasil.

“O sentimento da população é de que foi traída pelo STF. Com André Mendonça como relator, eu espero que a gente possa ter um bom desfecho tanto no caso Master quanto no do INSS”

Como os escândalos do INSS e das fraudes do Banco Master podem interferir nas eleições? Onde é que o caso do Banco Master começou? A semente foi no governo do PT, na Bahia. A questão do INSS tem grandes indícios de participação do filho de Lula. A bancada do PT votou contra a aprovação do relatório da CPMI. Essas questões serão levadas à população, que tem o direito de poder entender quem está do lado da investigação.

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Investigações da PF apontam relação de Daniel Vorcaro, dono do Master, com autoridades, entre elas os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF. Como avalia isso? O sentimento da população é o de que foi traída pelo STF. Agora, a atuação do ministro André Mendonça como relator desse caso cria a expectativa de que o sentimento de traição mude para o de esperança. Ele é alguém que tem uma conduta e uma integridade inabaláveis, posicionamento transparente e toma as decisões de forma imparcial, justa. Espero que a gente possa com ele ter um bom desfecho tanto no caso Master quanto no do INSS, do qual ele também é relator.

Qual sua expectativa para a iminente delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro? Ela vai trazer informações importantes. Sem a delação, já sabemos do contrato de 129 milhões de reais (do Master com o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF), de aumento de patrimônio de magistrados, de trocas de mensagens de Whats­App, de voos em jatinhos.

Um dos temas mais sensíveis na capital paulista é a Cracolândia. Ela realmente acabou, como o senhor e o governador Tarcísio de Freitas divulgaram? Estado e prefeitura, unidos, acabaram com aquela chaga de trinta anos. É um orgulho resolver um problema tão grave com trabalho de assistência social e de saúde, prisão de traficantes e urbanização do espaço.

A Aneel se manifestou pelo fim do contrato com a Enel, concessionária de energia na capital, após uma série de apagões. Agora cabe ao Ministério de Minas e Energia decidir. O que o senhor espera? Que a gente possa se livrar dessa péssima empresa. Só em dezembro tivemos mais de 4 milhões de imóveis sem energia durante dias. A Aneel decidiu por unanimidade pelo início do processo de caducidade. Não há a menor hipótese de essa empresa continuar. Só espero que o ministro de Minas e Energia (Alexandre Silveira) tenha a dignidade de dar celeridade a esse processo, até porque ele esteve numa reunião e se comprometeu comigo e com o governador. Depois, mudou de ideia, mas acho que deve prevalecer o interesse público, que é tirar essa empresa de São Paulo.

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O senhor tinha o desejo de disputar o Palácio dos Bandeirantes quando se ventilava a possibilidade de Tarcísio tentar o Planalto? Isso segue em seus planos? Eu mesmo nunca me coloquei como pré-candidato ao governo. Na hipótese de Tarcísio disputar a Presidência, as pesquisas traziam meu nome como o primeiro colocado e isso gerou uma repercussão. A eleição de 2030 está muito longe ainda. Quero terminar o mandato como melhor prefeito de São Paulo, bem avaliado como estou, entregando as obras com as quais me comprometi.

Publicado em VEJA de 10 de abril de 2026, edição nº 2990

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