Defesa de Jairinho justifica abandono do júri do caso Henry Borel: ‘Ausência de acesso às provas’

Defesa de Jairinho justifica abandono do júri do caso Henry Borel: ‘Ausência de acesso às provas’

O advogado Rodrigo Faucz, que faz a defesa de Jairo Souza Santos Junior, o Dr. Jairinho, acusado pela morte de Henry Borel, justificou o fato da defesa abandonar o II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (23). A medida resultou no adiamento do julgamento.

Em nota ao Mais Goiás, a defesa informou que não compactuou com a realização da sessão de julgamento desta segunda-feira. Informou, ainda, que “tal decisão decorreu da ausência de acesso da banca defensiva à integralidade das provas constantes nos autos, o que inviabiliza a realização de um julgamento justo e imparcial”.

Segundo Rodrigo, em nota, em 12 de agosto de 2025, a defesa protocolou uma petição com 66 pedidos para ter acesso a dados, documentos, provas e mídias, além da obtenção de esclarecimentos indispensáveis à realização da sessão plenária. Contudo, o juízo acatou 30 demandas em 9 de setembro.

“No período de cinco meses, desde o deferimento dos pedidos pelo juízo até a presente data, nem todas as provas requeridas foram disponibilizadas e, quanto a algumas que o foram, não houve tempo hábil para a análise. Mais grave ainda: apenas na última sexta-feira foi entregue o conteúdo de um notebook apreendido de Leniel Borel, com mais de 100 GB de dados. Entretanto, a análise do perito Julio Luz constatou que não foram entregues à defesa todos os dados, tendo sido selecionadas apenas as informações de interesse da investigação/acusação”, justificou.

O advogado disse, ainda, que o acesso ao conteúdo do celular de Leniel revelou “um verdadeiro conluio entre a assistência e os peritos do IML, que confeccionaram os laudos complementares de necropsia do caso — o que reforça a necessidade de desvelar as informações contidas no equipamento”. Ele também expôs que um dos telefones de Monique Medeiros, mãe de Henry e corré, foi disponibilizado apenas na última semana, o que tornou inviável a análise integral para a sessão de julgamento por haver 276 GB de dados no aparelho.

“O mesmo ocorreu com um aparelho celular da marca Xiaomi, cujos dados somente foram disponibilizados à defesa em 18 de março, dois dias úteis antes do julgamento.” Ele destacou também que, em consulta à Diretoria da Comissão de Prerrogativas da OAB-RJ, a defesa foi comunicada de que a participação em julgamento sem o exame do conteúdo probatório completo poderia constituir infração ética por prestação inadequada do serviço profissional.

Com o abandono, a juíza Elizabeth Medeiros Louro, do 2° Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, decidiu pela soltura de Monique Medeiros, que seria julgada nesta segunda-feira por sete jurados. Jairinho foi mantido preso.

Para a magistrada, a defesa de Monique foi prejudicada pela manobra de Jairinho. “A manutenção de sua prisão configura óbvio constrangimento ilegal, já que não pode suportar prejuízo decorrente de circunstância a qual não deu causa”, disse a juíza sobre a corré.

“Em que pese o parecer contrário do MP, diante de tal quadro processual, a custódia da ré já agora figura ilegal, por excesso claramente despropositado de prazo, razão pela qual relaxo a prisão e determino a imediata expedição de alvará de soltura a seu favor”, continuou. Uma nova plenária foi marcada para 22 de junho.

Caso Henry Borel

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, quando estava no apartamento em que vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o médico e ex-vereador Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. À época, os réus disseram que encontraram a criança desacordada no local.

No hospital onde levaram Henry, os profissionais verificaram que a morte foi causada por hemorragia interna e laceração hepática. Monique e Jairinho, então, afirmaram que teria ocorrido um acidente doméstico. Entretanto, o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) constatou 23 lesões pelo corpo da criança.

Fonte Original Mais Goias

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