Mundo enfrentou os dez anos mais quentes da história até 2025

Mundo enfrentou os dez anos mais quentes da história até 2025

calor

Calor recorde provoca desequilíbrio energético no planeta e intensifica eventos extremos como chuvas históricas e secas severas

(Foto: Freepik)

A humanidade acaba de atravessar a década mais quente já registrada. É o que revela um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado pelas Nações Unidas nesta segunda-feira (23).

De acordo com o levantamento, o período entre 2015 e 2025 concentrou, sozinho, os dez anos mais quentes da história. Em 2025, a temperatura média global ficou cerca de 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais — valor próximo ao recorde de 2024, quando o planeta ultrapassou a marca de 1,5 °C.

Mas, segundo os cientistas, o dado mais preocupante vai além da temperatura. Pela primeira vez, o relatório coloca no centro da análise o chamado “desequilíbrio energético da Terra”, que mede a diferença entre a energia que o planeta recebe do Sol e a quantidade que consegue devolver ao espaço.

Na prática, isso significa que a Terra está acumulando mais calor do que consegue liberar. Em 2025, esse desequilíbrio atingiu o maior nível desde o início das medições, na década de 1960 — um cenário que funciona como combustível para o agravamento das mudanças climáticas.

Esse excesso de energia já tem reflexos diretos no dia a dia. Fenômenos naturais estão mais intensos, duradouros e imprevisíveis. No Brasil, por exemplo, esse mecanismo ajuda a explicar as chuvas históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Pelo mundo, eventos extremos também marcaram presença, como as fortes chuvas na Espanha e o aumento na frequência de tornados nos Estados Unidos.

Grande parte desse calor extra não fica na atmosfera. Cerca de 91% é absorvida pelos oceanos, que vêm acumulando energia em ritmo acelerado. Nas últimas duas décadas, os mares passaram a reter, a cada ano, o equivalente a aproximadamente 18 vezes todo o consumo energético anual da humanidade.

Além disso, os oceanos também absorvem dióxido de carbono, o que altera a composição química da água e agrava impactos ambientais. O relatório aponta que o aquecimento dos mares mais do que dobrou em comparação ao período entre 1960 e 2005, atingindo níveis recordes.

Os efeitos também são visíveis nas regiões polares. No Ártico, a extensão do gelo marinho segue em níveis historicamente baixos. Já na Antártida, a cobertura de gelo registrou a terceira menor marca desde o início das medições.

Mesmo com a influência de fenômenos como o La Niña, que costuma provocar um resfriamento temporário, o aquecimento global se manteve elevado em 2025. No Brasil, isso se refletiu em temperaturas acima da média em grande parte do território, além de períodos de seca mais intensos.

Fonte Original Mais Goias

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