O que dizem as últimas pesquisas sobre a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

Três pesquisas divulgadas nesta quarta-feira, 11 — Ipsos/Ipec, Genial/Quaest e Meio/Ideia — desenharam um amplo retrato deste momento da corrida presidencial, a pouco menos de sete meses da decisão nas urnas, em especial sobre o duelo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o seu principal adversário até o momento, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Os levantamentos Meio/Ideia e Genial/Quaest mostram um cenário em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro continua crescendo, se aproximando de Lula e deixando pouco espaço para uma terceira via — em nenhum dos cenários de primeiro turno testados pelos dois institutos um candidato além do presidente ou do senador ultrapassa 10% de intenção de votos.
Segundo a pesquisa Meio/Ideia, Lula teria 47,4% das intenções de voto no embate contra Flávio, que pontuaria 45,3%. Como a margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, o resultado representa um empate. Nesta projeção, assim como em outras recentes, há pouco espaço para os dois candidatos avançarem: os votos brancos ou nulos são 4,1% e aqueles que não sabem ou não responderam, 3,2%.
O levantamento mostra, ainda, um crescimento de Flávio: nas rodadas anteriores da pesquisa, em janeiro e em fevereiro, o senador teve 36% e 41,1% das intenções de voto, respectivamente — leia aqui a matéria sobre a pesquisa Meio/Ideia.
O mesmo movimento ascendente de Flávio vem sendo registrado pela Genial/Quaest, que nesta semana mostrou pela primeira vez Lula e Flávio empatados numericamente na simulação de segundo turno, ambos com 41% — leia aqui a matéria sobre a pesquisa. Desde o fim do ano passado, o pré-candidato do PL subiu cinco pontos percentuais, enquanto o presidente caiu os mesmos cinco — a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos .
Avaliação de Lula
Já o levantamento do Ipsos-Ipec não testou cenários eleitorais, mas pode dar a pista do motivo para as variações para baixo do petista e para cima do seu adversário: o instituto mediu a aprovação do governo em nove áreas, e em todas, a avaliação negativa do presidente supera a positiva. Os campos em que a atuação federal se sai pior são controle e corte de gastos, combate à inflação e segurança pública –todas bandeiras que Flávio promete encampar, embora ainda não tenha apresentado nenhuma proposta concreta até o momento.
Rejeição
O principal desafio do senador do PL e do presidente da República permanece sendo reduzir as suas rejeições, que permanecem altas desde o início da pré-campanha. No levantamento atual da Genial/Quaest, 55% dos entrevistados disseram que não votariam em Flávio de jeito nenhum, ante 56% de Lula. Esses patamares estão praticamente estáveis desde o início deste ano.
Centro empacado
Já as candidaturas fora da polarização na disputa presidencial, principalmente as encampadas pelo PSD, mostram pouca viabilidade eleitoral. A legenda de Gilberto Kassab promete anunciar quem entre os governadores Ratinho Júnior (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás) vai representá-la no fim deste mês, mas nenhum dos três consegue fazer frente aos principais pré-candidatos até o momento. O governador paranaense é o que se sai melhor nos cenários de segundo turno, mas teria dificuldade em chegar até lá, já que nas simulações de primeiro turno está praticamente estacionado em 7%, segundo a Genial/Quaest, ou 9%, de acordo com a Meio/Ideia.
Nesse contexto, os novos números apontam para uma polarização cada vez mais nítida entre Lula e Flávio Bolsonaro. Com rejeições altas de ambos e avaliações negativas do governo em áreas sensíveis, a disputa segue em aberto e deve permanecer apertada — mas se tratando de eleição, surpresas nunca são impossíveis.
