Datafolha: novo voo político de Haddad começa com eleitor mais desconfiado da economia

Datafolha: novo voo político de Haddad começa com eleitor mais desconfiado da economia

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), deixará a pasta nos próximos dias para disputar as eleições deste ano — provavelmente ao governo de São Paulo — em um momento de baixa na avaliação dos brasileiros sobre a economia nacional.

Um dos principais auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro  confirmou nesta terça-feira, 10, que vai entrar na disputa eleitoral embora tenha evitado cravar que a sua missão será enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no maior colégio eleitoral do país. “Estamos conversando, estudando a que concorrer (…). Não é só a candidatura. Temos que ver o grupo de pessoas que vão compor a chapa”, disse.

Pesquisa Datafolha divulgada também nesta terça, 10, aponta que a parcela de brasileiros que vê piora da economia avançou nos últimos meses, chegando a 46% da população — no levantamento anterior, em dezembro, eram 41%. A queda anulou a pequena melhora que havia sido registrada em relação a julho de 2025, quando a avaliação negativa chegara a 51%. A sondagem desta terça-feira, 10, também mostra que os brasileiros que avaliam que a situação econômica do país melhorou recuou de 29% para 24% na comparação com dezembro.

A expectativa para o futuro também piorou. Quando questionados sobre como acham que se comportará a economia nos próximos meses, 30% dos eleitores dizem acreditar que ela irá melhorar, um recuo de dezesseis pontos em relação a dezembro, quando era 46%. Já os que acham que o cenário econômico irá piorar saltou de 21% para 35%.

Mesmo no plano individual, a avaliação da expectativa econômica se deteriorou. Quando questionados se nos últimos meses a situação financeira pessoal mudou, 33% disseram que ela piorou (era 26% em dezembro), enquanto 30% dizem que ela melhorou (eram 36% no levantamento anterior). Para 37% dos entrevistados, a condição econômica particular ficou como estava (eram 38%).

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O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios em todo o Brasil, entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

Aposta de risco

A edição de VEJA desta semana mostra como o embate com o atual mandatário Tarcísio de Freitas (Republicanos) é uma aposta de risco para Haddad. Com três derrotas nas últimas eleições que disputou (prefeito em 2016, presidente em 2018 e governador em 2022), um quarto revés poderia cristalizar a sua imagem de perdedor e dificultar o seu projeto (e de muita gente) de ser o sucessor de Lula na eleição presidencial de 2030.

Além do favoritismo de Tarcísio (ele lidera em todos os cenários e tem 44% contra 31% de Haddad no primeiro turno, segundo o Datafolha), o ministro também terá que enfrentar o rival no comando da maior máquina pública estadual do país (ele não precisa renunciar ao cargo) e com o forte apoio do bolsonarismo  e do PL. Além disso, Haddad terá de superar o histórico do PT, que desde a sua fundação, em 1980, nunca governou o estado onde nasceu.

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A avaliação entre os lulistas, no entanto, é que Haddad é o nome mais forte para fazer com que Lula, ainda que não vença no estado, seja derrotado por uma margem estreita, como ocorreu em 2022 — à época, o hoje ministro da Fazenda foi ao segundo turno, fez 45% dos votos paulistas e ajudou o partido a voltar à Presidência da República.

Pontas soltas

A candidatura de Haddad ainda não foi confirmada por alguns motivos. Uma das questões é que o seu entorno não gostaria de antecipar a discussão sobre eleições — de acordo com o próprio ministro, maiores definições sobre candidaturas se darão apenas após 3 de abril, a data-limite fixada pela legislação eleitoral para desincompatibilização por quem ocupa cargos públicos.

Outra aresta é a própria composição da chapa de Haddad. Além de seu nome ao governo, ventila-se o lançamento das ministras do Planejamento, Simone Tebet (MDB), e do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), para as duas vagas ao Senado. Um obstáculo é que uma composição 100% feminina e progressista teria o risco de ser vista pelo eleitorado como “radical” demais para um estado como São Paulo, atraindo mais rejeição do que identificação. No caso de Tebet, haveria ainda necessidade de trocar de domicílio eleitoral — hoje, ela representa o Mato Grosso do Sul — e de partido — uma vez que o MDB no estado está fechado com Tarcísio. Marina também está de saída da Rede e deve ir para o PSB, PSOL ou mesmo o PT.

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Conversas sobre a chapa também estão sendo feitas com o PSB, envolvendo principalmente os papéis a serem desempenhados pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin e pelo ministro Márcio França, ambos ex-governadores de São Paulo. No caso de França, um entrave seria a filiação de Tebet ao PSB — a leitura é que isso queimaria uma vaga na chapa, porque seria difícil ter dois nomes do mesmo partido. Nesse caso, uma opção seria ele disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

No caso de Alckmin, que já expressou seu desejo de continuar como vice-presidente, aliados garantem que há, ainda, dois caminhos possíveis: uma disputa a uma das vagas ao Senado e até mesmo a disputa ao governo estadual, hipóteses cada vez mais remotas.

Por fim, há o lugar de vice de Haddad. Nos últimos dias tem circulado que o ministro da Fazenda gostaria de ter um nome mais de centro, para ampliar o seu eleitorado, emulando o que fez o próprio Lula com Alckmin na eleição presidencial de 2022.

 

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