Saneago não será privatizada; plano prevê universalização do saneamento até 2033
Entrevista
Leilões programados visam parceria público-privada (PPP) para arrecadar investimentos. Marco Legal prevê acesso de 99% da população à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto até 2033
Saneago não será privatizada, afirma governo diante de leilões voltados para universalização do saneamento (Foto: ETE/Saneago)
O edital de leilão publicado pela Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago) no último dia 22 de dezembro de 2025 está no centro da estratégia do Governo de Goiás para angariar em torno de R$ 6,2 bilhões em investimentos a serem direcionados à universalização do saneamento básico no estado. O plano é estabelecer parcerias público-privadas (PPPs) para atingir a meta nacional estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento Básico: elevar a cobertura da distribuição de água potável e da coleta e tratamento de esgoto para 99% e 90% da população, respectivamente, até 2033.
Com entrega de propostas programada para o próximo 18 de março, o leilão está agendado para a semana seguinte, dia 25, às 14h.
Privatização da Saneago?
Em meio a boatos de que a Saneago seria privatizada, o Secretário-Geral do Colegiado Microrregional de Saneamento Básico, Pedro Sales, reforça o compromisso estadual de que a empresa continuará pública. “A Saneago não será privatizada. Ela será pública em definitivo.” Ele assegura que o leilão publicado, ‘apesar do termo’, não tem a ver com a venda da companhia, mas com a contratação de empresas para angariar e acelerar investimentos.
“As parcerias público-privadas constituem um modelo já consolidado em Goiás. É comum que empresas privadas executem obras de infraestrutura que, depois de prontas, são incorporadas ao patrimônio público. É assim que faremos.”
Universalização do saneamento
O plano de universalização do saneamento, a partir da Lei Complementar nº 182/2023, dividiu o estado em três microrregiões – Oeste, Centro e Leste. Cada segmento possui um colegiado formado por representantes dos municípios integrantes e também do governo estadual, cuja função é definir estratégias, aprovar investimentos e acompanhar a execução dos contratos.
“A ideia é garantir escala econômica e atrair parceiros privados por meio das PPPs, permitindo que cidades menores se beneficiem da força conjunta com municípios maiores. Dessa forma, o planejamento passa a ser regional, evitando que apenas áreas de maior interesse econômico recebam atenção e assegurando que a universalização do saneamento seja viável até 2033”, explica.
Papel da iniciativa privada
No formato PPP, adotado em Goiás, empresas selecionadas – ou seja, vencedoras do leilão – vão assumir a responsabilidade pela implantação, ampliação, operação e manutenção dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto. As concessionárias, desse modo, ficam obrigadas a realizar as obras, fornecer a infraestrutura necessária e garantir a eficiência dos serviços ao longo do contrato, que terá duração de 20 anos.
“Nesse bojo, as empresas entram como parceiras para acelerar a universalização do saneamento, mas sem alterar o caráter público da Saneago”, sublinha Sales.
Experiência em Aparecida
O mesmo tipo de contratação pensado para Goiás já foi implementado em 2013, em Aparecida de Goiânia. Contrato focado na coleta e tratamento de esgoto, segundo Pedro, permitiu expansão da cobertura. O município, que em 2010 figurava entre os vinte piores nesse atributo no Ranking do Saneamento divulgado pela Trata Brasil, chegou à lista de melhores cidades em 2020, lista na qual alcançou a sexta posição em 2025.
