1,6 mil venezuelanos pediram regularização após se mudar para Goiás em 2025

1,6 mil venezuelanos pediram regularização após se mudar para Goiás em 2025

Goiás registrou 1.673 novos processos individuais de regularização migratória de cidadãos venezuelanos em 2025. Os dados são do estudo técnico divulgado pelo Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica (IMB), com base em registros administrativos do Sistema de Registro Nacional Migratório (SisMigra), da Polícia Federal do Brasil. O número representa um aumento de cerca de 0,66% comparado a 2024, quando foram registrados 1.662 atendimentos.

No contexto nacional, Goiás aparece como um destino secundário para migrantes da Venezuela. A principal porta de entrada continua sendo o estado de Roraima, especialmente pela cidade de Pacaraima. A presença de venezuelanos em Goiás costuma estar relacionada a processos de interiorização e mobilidade interna dentro do próprio Brasil.

O levantamento também mostra que os registros de regularização migratória de venezuelanos se concentram principalmente em cidades maiores de Goiás. Em 2025, Goiânia liderou o ranking, com 469 atendimentos, seguida por Rio Verde, com 371. Na sequência aparecem Aparecida de Goiânia (136), Valparaíso de Goiás (61), Anápolis (59) e Trindade (56).

Outros municípios com presença registrada foram Jataí (43), Águas Lindas de Goiás (39), Luziânia (38) e Itumbiara (34). Os dados indicam que os migrantes tendem a buscar cidades com maior oferta de emprego, serviços e redes de apoio, especialmente nos principais centros urbanos do estado.

O perfil demográfico indica predominância masculina entre os venezuelanos que regularizaram a situação migratória em Goiás em 2025, com 54,6% de homens e 45,4% de mulheres. A maioria está em idade economicamente ativa, com destaque para as faixas de 25 a 39 anos (30,6%) e 40 a 64 anos (25,5%), que juntas representam 56,1% do total.

Os registros correspondem a pessoas que formalizaram sua situação migratória por meio do processo de documentação vinculado à estratégia de acolhimento de venezuelanos no Brasil. O relatório ressalta que esses números representam atendimentos realizados para emissão ou atualização de documentos, e não necessariamente a entrada física desses migrantes em território goiano no mesmo período.

Parte dos registros pode envolver venezuelanos que já residiam em Goiás e apenas buscaram regularizar sua situação migratória em 2025. Ainda assim, o sistema permite acompanhar a dinâmica recente do fenômeno e identificar possíveis mudanças no fluxo de atendimento.

O venezuelano Carlos Coraspe, que vive em Goiânia há cerca de quatro anos, é proprietário de um restaurante localizado no Jardim Novo Mundo. No estabelecimento, além de Carlos, os dois funcionários do local também são venezuelanos.

Coraspe conta que conseguiu regularizar a documentação ainda na fronteira ao chegar ao Brasil, processo que, segundo ele, foi relativamente simples. “Você agenda, pega o número e tira a documentação. Se faz do jeito certo, não dá trabalho”, relata. Ele explica que, na época, também providenciou a documentação da esposa e da filha, que hoje tem seis anos.

A escolha por Goiânia, segundo ele, estava relacionada à busca por oportunidades de emprego e ao fato de a mulher com quem era casado ter familiares na cidade. “Eu, como engenheiro na Venezuela, não estava dando certo”, afirmou, ao se referir ao valor do salário mínimo no país.

Impacto dos conflitos internacionais

O estudo também analisou possíveis impactos de tensões geopolíticas recentes envolvendo a Venezuela. A partir de setembro de 2025 houve alerta institucional relacionado à escalada de conflitos internacionais e à deterioração do cenário político no país sul-americano. Apesar disso, os dados analisados não apontam mudança estrutural ou aumento persistente no fluxo de venezuelanos para Goiás após esse período.

Outro indicador examinado foi o número de solicitações de refúgio registradas no estado junto ao Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). No período analisado, os volumes foram relativamente baixos. Foram 52 pedidos em 2024 e 39 em 2025, o que representa menos de 0,2% do total nacional de solicitações feitas por venezuelanos.

Fonte Original Mais Goias

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