Após troca de ameaças, Trump fala em ‘honra’ por conversa com presidente da Colômbia

O presidente americano Donald Trump falou pela primeira vez ao telefone com seu par colombiano Gustavo Petro nesta quarta-feira, 7, e o convidou para uma visita à Casa Branca em “um futuro próximo”, segundo uma publicação em sua rede Truth Social.
“Foi uma grande honra falar com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que me telefonou para explicar a situação das drogas e de outros desacordos que tivemos. Agradeci sua chamada e seu tom, e espero me reunir com ele em um futuro próximo”, escreveu Trump em sua mensagem.
“Estão sendo feitos acertos entre o secretário de Estado Marco Rubio e o chanceler da Colômbia. A reunião vai acontecer na Casa Branca”, acrescentou.
A conversa ocorre após uma troca de ameaças pública entre os líderes. Trump acusa, sem provas, Petro de ser um líder do narcotráfico e disse que lhe pareceria “bem” realizar uma incursão militar em solo colombiano semelhante à realizada na Venezuela, que levou à captura, no sábado, de Nicolás Maduro.
Nesta quarta, Petro convocou marchas em todo o país em repúdio às ameaças de Trump. Petro assinalou que pensava em fazer um discurso “muito duro”, mas mudou de ideia após o telefonema, que durou pelo menos uma hora.
O dirigente colombiano assegurou que pediu a seu colega americano que “se restabeleçam os contatos diretos entre chancelarias e presidentes” de ambas as nações.
Os dois também falaram sobre o tráfico de drogas e a situação na Venezuela. Por ora não há uma data para o encontro, ao qual o presidente colombiano disse que atenderá. “Chegaram a convencer Trump de que eu era o rei da fábrica de cocaína […] Trump não é bobo”, disse.
Na segunda, 5, Petro afirmou que pegaria “de novo em armas” diante das ameaças de Trump. “Jurei não tocar mais em uma arma desde o pacto de paz de 1989, mas pela pátria voltarei a pegar em armas que não queria”, disse o mandatário de esquerda na rede social X.
Trump afirmou no fim de semana que Petro deveria “cuidar de seu traseiro” depois da captura de Maduro. Ele também descreveu Petro como “um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la para os Estados Unidos”. “Não fará isso por muito mais tempo”, alertou o presidente americano.
Petro, ex-guerrilheiro do M-19 que assinou o acordo de paz em 1990, também foi deputado e prefeito de Bogotá antes de se tornar o primeiro presidente de esquerda da Colômbia.
Na segunda, durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, a representante da Colômbia, Leonor Zalabata Torres, comparou a operação que derrubou Maduro aos “piores momentos de interferência” na região. “Essas ações (…) constituem uma clara ameaça à preservação da região como uma zona de paz”, disse Torres.
“É importante também compreender as implicações desta situação para a paz e a segurança internacionais, para além da nossa região, especialmente quando um membro permanente do Conselho de Segurança decide usar a força e assumir unilateralmente o controle de outro Estado soberano, com o objetivo, entre outras coisas, de se apropriar de recursos naturais ou estratégicos”, acrescentou Torres.
(Com AFP)
