“Não farei economia com salário mínimo, nem com aposentados”, diz Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, indicou que não pretende desvincular a correção das aposentadorias e benefícios do reajuste do salário mínimo. A medida é defendida por economistas como parte do ajuste fiscal necessário para estabilizar a trajetória da dívida pública e, posteriormente, reduzi-la. O coordenador da campanha do filho de Jair Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), já apoiou publicamente a proposta. “Não farei economia com quem ganha salário mínimo e não farei economia com aposentados”, afirmou Bolsonaro nesta sexta-feira 28, durante sabatina promovida pela TV Globo.
Para o candidato, o caminho para reduzir os gastos será o combate à corrupção e a redução da máquina pública, o que passaria pelo corte do número de ministérios. “Eu vou fazer economia combatendo a corrupção, fazendo tesouraço na burocracia e reduzindo impostos”, disse. O “tesouraço” é a versão do filho Zero Um da motosserra exibida por Javier Milei, durante sua campanha para a presidência da Argentina, e que se tornou o símbolo dos grandes cortes de gastos que prometia realizar.
Flávio acrescentou que os juros altos também contribuem para elevar a dívida e culpou a perda de credibilidade do governo de seu rival, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, pelo fato de a taxa básica, a Selic, encontrar-se em 14% ao ano, colocando o país no topo do ranking dos países com as maiores taxas reais de juros. Como se sabe, a dívida pública saltou de 72% para 82% do produto interno bruto durante o terceiro mandato de Lula, que evita se comprometer com o corte de gastos.
“Ninguém mais acredita que esse governo faça ajuste fiscal, porque ele gasta fora do orçamento e não está nem aí”, afirmou na sabatina. Segundo o senador, sua eventual vitória em outubro já permitiria um choque de credibilidade junto ao mercado financeiro que viabilizaria a redução dos juros e, por consequência, da dívida pública.
“Só com o anúncio da eleição de Flávio Bolsonaro como presidente da República e com a equipe que vai ter essa cara que todos estão vendo, com a equipe de técnicos, economistas, de pessoas sérias, de pessoas que são competentes, que estão ali por um projeto de Brasil, a taxa de juros já vai cair na reunião seguinte do Copom”, declarou.
