Líder religioso aliado de Bashar Al-Assad é condenado à prisão perpétua na Síria

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A Justiça síria condenou nesta segunda-feira, 24, à prisão perpétua o ex-grande mufti Ahmed Badreddin Hassoun, que exerceu suas funções durante o regime do ditador deposto Bashar al-Assad, em particular por incitação ao ódio sectário e abuso de poder.
Esta é a 10ª condenação anunciada pelas novas autoridades islamistas do governo de Ahmed al-Sharaa no âmbito dos julgamentos iniciados contra Assad e as autoridades vinculadas a seu regime, mas a primeira sentença proferida contra um líder religioso.
O ex-grande mufti, que ocupou o cargo durante 16 anos, era conhecido por sua proximidade com o ditador derrubado durante um levante rebelde em 2024. Suas aparições ao lado de Assad em cerimônias e atos religiosos eram frequentes.
O tribunal de Damasco condenou o réu, em sua presença, à prisão perpétua por “estimular a guerra civil e os confrontos confessionais”. Além disso, ele foi condenado a outras penas, de entre três e 20 anos de encarceramento, por “incitação intencional ao assassinato, participação direta” em assassinatos e por ter estimulado o “ódio confessional e racial”.
Em 2021, Assad promulgou um decreto que suprimiu o cargo de grande mufti e ampliou as competências de um Ministério dos Assuntos Religiosos. O decreto forçou a aposentadoria de Hassoun, que havia sido nomeado pelo autocrata em 2004.
Pena de morte
Assad permaneceu no poder por mais de uma década, até ser derrubado em 2024 por rebeldes de linha islamista, liderados pelo atual presidente al-Sharaa. Em abril, a Síria iniciou processos contra o ditador e outras autoridades de sua administração pelas atrocidades cometidas durante a guerra civil iniciada em 2011 com uma repressão brutal às manifestações pró-democracia.
No início deste mês, um tribunal da Síria condenou à morte o próprio Assad, bem como seu irmão mais novo, Maher al-Assad, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante os quase 14 anos de guerra civil no país. O conflito deixou cerca de 500 mil mortos.
A sentença foi proferida à revelia, já que os dois irmãos não estavam presentes no julgamento. Eles fugiram para a Rússia em dezembro de 2024, após a ofensiva-relâmpago que derrubou o regime de Assad em apenas 11 dias. O presidente russo, Vladimir Putin, concedeu asilo pessoalmente ao seu antigo aliado, juntamente com membros de sua família e associados ao regime.
