Lulinha quer retirar do ar vídeo de Flávio Bolsonaro que o associa a escândalo do INSS

Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está processando o senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) por causa de um vídeo, publicado nas redes sociais, em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro o associa ao escândalo do INSS. Com a legenda, “Missão: Localizar Lulinha”, o material é uma sucessão de imagens construídas por inteligência artificial nas quais um piloto militar está buscando o filho do petista, que teria “roubado milhões de idosos”. A primeira-dama Janja da Silva e Lula também aparecem na montagem.
O pedido foi apresentado à Justiça Estadual de São Paulo e está na 41ª Vara Cível da capital paulista. A ação foi protocolada na última terça, 18, e até o momento não teve nenhuma decisão. Lulinha pede que o vídeo seja removido das redes sociais de Flávio em 24 horas e que o senador seja obrigado a lhe pagar uma indenização de 10.000 reais por danos morais.
Os advogados de Lulinha argumentam que ele não foi indiciado na conclusão do inquérito do escândalo do INSS e que não foi, até o momento, formalmente acusado e tampouco condenado. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de três inquéritos para investigar acusações de tráfico de influência contra o filho do presidente, por conta de seu envolvimento com grupos de lobistas que buscam contratos no governo, como mostrou capa de VEJA da edição desta semana. Entre os empresários para quem o grupo teria atuado está Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, um dos principais investigados no escândalo das fraudes na Previdência.
O vídeo publicado por Flávio Bolsonaro tem uma legenda que diz “Este vídeo contém sátira, ficção e elementos de áudio e vídeo gerados por IA”. No entanto, a ação argumenta que, para quem assiste, mesmo ficando claro que é uma montagem, a mensagem de fundo que fica seria falsa.
“O espectador compreende que o avião, a missão e a perseguição são fictícios. Não recebe, contudo, qualquer indicação de que também seria falsa a afirmação segundo a qual o Autor é suspeito de ter ‘roubado milhões de idosos’. A autoclassificação do conteúdo como “sátira” ou “ficção” e a indicação de utilização de inteligência artificial não conferem ao Réu autorização para atribuir falsamente a pessoa determinada a condição de suspeito da prática de crime”, diz o pedido.
Integrantes da campanha de Flávio consultados por VEJA afirmam que o vídeo publicado com citação a Lulinha é real e que ele deve prestar contas, e não entrar na Justiça contra Flávio. Oficialmente, a campanha preferiu não se manifestar publicamente.
