Paulo Rogério detalha novo estatuto do Goiás e cobra torcida

Paulo Rogério detalha novo estatuto do Goiás e cobra torcida

O Goiás Esporte Clube aprovou, na noite desta sexta-feira (14), o novo estatuto que altera novamente a estrutura administrativa do clube e marca o retorno ao sistema presidencialista. A mudança foi aprovada pelos sócios-proprietários durante assembleia realizada na Serrinha. Foram 173 participantes, com 166 votos favoráveis e apenas sete contrários.

Após a aprovação, o presidente do Conselho Deliberativo, Paulo Rogério Pinheiro, concedeu entrevista coletiva e explicou como ficará o funcionamento do clube a partir da mudança. Segundo ele, o novo estatuto não amplia os poderes do Conselho Deliberativo e, principalmente, não transforma sua função em uma espécie de comando paralelo ao presidente executivo.

“Presidente do Conselho não tem poder, não. Quiseram imputar isso aqui. É só ler o estatuto. O Conselho Deliberativo tem que ser provocado”, afirmou.

Aroldo Guidão assume como presidente executivo

Com a aprovação do novo estatuto, Aroldo Guidão, que ocupava a presidência do Conselho de Administração, passa a exercer imediatamente o cargo de presidente executivo do Goiás. Ele permanece no comando até dezembro, quando serão realizadas novas eleições.

Paulo Rogério fez questão de ressaltar que, a partir de agora, a cobrança sobre a gestão executiva deve ser direcionada a Aroldo e sua diretoria.

“Agora o Goiás tem um presidente executivo para vocês cobrarem. O Paulo Rogério do Conselho vai ser somente presidente do Conselho. Só vai trabalhar no dia que for provocado”, disse.

O dirigente também afirmou que não pretende interferir diretamente no futebol e destacou o trabalho do diretor de futebol Michel Alves.

“Se for subir, mérito da diretoria executiva, do presidente executivo e do Michel. Não é do Paulo Rogério. Eu não estou participativo. Eu não tenho tempo para estar participativo mais”, declarou.

Conselho Fiscal ganha mais força

Na avaliação de Paulo Rogério, o principal beneficiado pelo novo estatuto foi o Conselho Fiscal. Segundo ele, o órgão ganhou mecanismos para fiscalizar a gestão e acelerar processos em casos de irregularidades.

“O maior beneficiado do estatuto foi o Conselho Fiscal, não foi o presidente. O Conselho Fiscal tem que fiscalizar. A gente agora tem instrumentos jurídicos de tirar o presidente muito rapidamente”, explicou.

Ele citou como exemplo uma eventual irregularidade cometida pelo presidente executivo. Nessa situação, o Conselho Fiscal poderá provocar o Conselho Deliberativo e, em determinadas circunstâncias, recomendar um afastamento cautelar enquanto o processo de destituição é analisado.

Paulo Rogério também rebateu a interpretação de que o novo estatuto teria criado uma concentração de poder em suas mãos.

“Eu fico chateado em construir narrativas de que eu sou ditador. Vocês acham que o Conselho Deliberativo vai fazer gestão de clube? Não, gente. Bobeira essa”, afirmou.

“Não sou mais executivo”

Durante a entrevista, Paulo Rogério voltou diversas vezes ao argumento de que não será responsável pelas decisões administrativas do Goiás. Ele afirmou que sua atuação estará concentrada nas atribuições do Conselho Deliberativo e em projetos institucionais, como a busca por recursos e a construção da nova arena.

“O Paulo Rogério não é executivo do Goiás. O Paulo Rogério não manda no Goiás”, reforçou.

O dirigente também afirmou que não pretende disputar nenhum cargo nas próximas eleições. “Eu não sou candidato a presidente do Conselho. Eu não sou candidato a presidente do Executivo. Eu não sou candidato a presidente do Conselho Fiscal”, disse.

Segundo ele, sua intenção é continuar contribuindo com o clube apenas como conselheiro, caso seja do interesse dos demais membros.

Defesa dos jogadores e pedido para torcida lotar a Serrinha

Paulo Rogério também fez um apelo para que a torcida esmeraldina deixe de lado as críticas ao elenco e volte a frequentar o estádio.

O dirigente afirmou que os jogadores do Goiás estão comprometidos e rejeitou acusações de que atletas estariam “tirando o pé” ou atuando apenas por interesse financeiro.

“Parem de falar que os jogadores do Goiás são mercenários. Que os jogadores do Goiás estão tirando o pé. Pelo amor de Deus. Os jogadores do Goiás estão dando sangue, estão dando a vida”, afirmou.

Ele ainda pediu que a torcida compareça em maior número aos jogos da Série B. “Não vamos pôr mais 6 mil pessoas. Vamos pôr 13, 14 mil. Isso nós precisamos. É da torcida lotar a arena”, declarou.

Paulo Rogério citou ainda o momento do Goiás na competição e pediu apoio independentemente do resultado contra o Criciúma.

“Vamos lembrar daquele time que lotou o Serra Dourada na Libertadores às cinco da tarde? Coisa maravilhosa. A torcida tem que parar de pirraçar (…) Vamos sair da televisão, do tablet, e vamos vir para o estádio.”

Situação financeira e transfer ban

Outro ponto abordado pelo dirigente foi a situação financeira do Goiás. Paulo Rogério afirmou que trabalha na busca por recursos para ajudar o clube a equilibrar as contas e garantiu que o transfer ban será quitado.

Segundo ele, a prioridade atual é o pagamento dos salários e, posteriormente, a resolução da pendência que impede o clube de registrar novos jogadores. O prazo citado pelo dirigente para o pagamento do transfer ban é 15 de setembro.

“O dia que tiver dinheiro para contratar o jogador, vai pagar. Até dia 15 de setembro tem que ser pago”, afirmou.

Paulo Rogério também disse acreditar que o Goiás conseguirá equacionar a situação financeira até o fim do ano. “A crise financeira vai ser resolvida de um jeito ou outro. Vai ser resolvida”, declarou.

“Chega de crise no Goiás”

Em tom de desabafo, Paulo Rogério criticou parte da cobertura da imprensa e afirmou que sua família também sofre com as críticas direcionadas a ele. “Quem em sã consciência aguenta tanta porrada que eu levo? Qual dirigente vai estar presidente do Goiás que vai aguentar as porradas?”, questionou.

Ele ainda pediu que a imprensa e a torcida concentrem as discussões no futebol e deixem de atribuir a ele responsabilidades que, segundo o novo estatuto, pertencem à diretoria executiva. “Está na hora da imprensa parar. Vamos falar de futebol, vamos falar de futebol goiano. Tentem ajudar os clubes. É isso que eu quero”, afirmou.

Ao final, Paulo Rogério resumiu o momento do clube com um pedido direto aos torcedores: “Chega de crise no Goiás. Eu imploro para a imprensa goiana. (…) Vamos falar de futebol goiano.”

Com o novo estatuto, o Goiás encerra o modelo de Conselho de Administração adotado em 2023 e retoma o presidencialismo. Aroldo Guidão passa a ser o presidente executivo até as eleições de dezembro, enquanto Paulo Rogério permanece à frente do Conselho Deliberativo, com atuação condicionada às competências previstas no novo texto.

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