Lula diz que Estado foi ‘aprisionado’ pela Faria Lima, mas reconhece autonomia do BC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu declarações mistas nesta quarta-feira, 5, sobre a condução da política fiscal. Por um lado, o mandatário defendeu uma política fiscal séria para que o Banco Central (BC) possa reduzir a taxa Selic, hoje fixada em 14,25% ao ano. A emissão de novas dívidas para custear investimentos do governo, no entanto, também é defendida pelo petista.
“Se o Estado tiver que fazer uma dívida por isso (investimentos em obras), pode fazer. Aqui no Brasil, o Estado foi aprisionado pela Faria Lima”, disse Lula em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil e Os 3 Elementos. As declarações do presidente ocorreram horas antes de o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) decidir sobre os rumos da Selic, em decisão marcada para às 18h30.
Lula disse que o governo não deve gastar mais dinheiro do que tem disponível, sugerindo que a política fiscal deve ser equilibrada em face de um Banco Central autônomo e que fixa juros elevados. “O Banco Central é autônomo, ele tem autonomia. Nós temos que cuidar para que, do ponto de vista econômico, a gente tenha bastante seriedade fiscal para não gastar aquilo que a gente não tem e, ao mesmo tempo, trabalhar para reduzir a taxa de juros”, disse o petista.
