Santander lucra abaixo do esperado com alta da inadimplência e queda da rentabilidade

O Santander reportou lucro líquido gerencial de 3 bilhões de reais no segundo trimestre de 2026, queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado, divulgado nesta quarta-feira em documento enviado ao mercado, ficou abaixo da expectativa do consenso da Bloomberg, que projetava lucro de 3,4 bilhões de reais.
O desempenho do banco foi pressionado pela piora da qualidade da carteira de crédito. A inadimplência acima de 90 dias aumentou e exigiu um reforço nas Provisões para Devedores Duvidosos (PDD), reduzindo a rentabilidade e o lucro da instituição. A deterioração dos indicadores ocorre justamente durante a transição no comando do banco.
Mario Leão deixou o cargo de presidente-executivo no início de julho e foi substituído por Gilson Finkelsztain. Como a troca ocorreu no encerramento do trimestre, o balanço ainda reflete integralmente a estratégia conduzida pela antiga gestão, que encerra seu ciclo sem cumprir uma de suas principais metas: alcançar um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) igual a 20%.
A margem financeira bruta, que representa a diferença entre o custo de captação e as receitas com operações de crédito, permaneceu praticamente estável em 15,3 bilhões de reais, com leve recuo de 0,4% na comparação anual.
Já a inadimplência acima de 90 dias subiu de 2,6% para 3,3% em um ano, avanço de 0,7 ponto percentual. Para fazer frente ao aumento dos calotes, o Santander elevou em 11,5% as despesas com Provisões para Devedores Duvidosos, que somaram 7,6 bilhões de reais ao fim do segundo trimestre.
Como consequência, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recuou para 12,5%, queda de 3,8 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. O indicador também permaneceu abaixo da taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, parâmetro frequentemente utilizado pelo mercado como referência para o custo de oportunidade do capital.
Em síntese, o Santander entregou um resultado inferior ao esperado pelos analistas, refletindo a deterioração da carteira de crédito, o aumento das provisões e a compressão da rentabilidade. O balanço marca o fim da gestão de Mario Leão com indicadores mais fracos do que os registrados no período de seu antecessor, Sergio Rial, e deixa para Gilson Finkelsztain o desafio de recuperar a lucratividade e melhorar a qualidade dos ativos do banco.
