por que a piraíba pescada não pode ser consumida?
Quem acompanha a temporada de pesca no Rio Araguaia provavelmente já se deparou com registros de pescadores exibindo exemplares gigantes de piraíba. No entanto, apesar do tamanho impressionante, o consumo desse peixe é proibido em Goiás. A espécie é protegida por lei devido à sua importância ecológica e ao risco de extinção, o que torna obrigatório o sistema de pesque e solte para garantir sua preservação.
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Considerada um dos maiores peixes de água doce do mundo, a piraíba, chamada por muitos de ‘tubarão de água doce’, desperta a atenção por alcançar dimensões impressionantes. Além de ser um dos principais símbolos da pesca esportiva no Araguaia, ela desempenha um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.
Por que a piraíba não pode ser consumida?
A principal razão para a proibição está na conservação da espécie. Em Goiás, a piraíba é classificada como espécie em defeso, conforme determina a Lei Estadual nº 13.025/1997. Isso significa que sua captura para consumo é considerada pesca predatória e está proibida em todo o território goiano.
Na prática, o pescador pode fisgar o animal durante a pesca esportiva, mas deve devolvê-lo imediatamente ao rio. A regra integra a política de preservação da fauna aquática da Bacia Hidrográfica Araguaia-Tocantins e também se aplica a outras espécies protegidas.
A medida busca impedir que um dos maiores peixes de couro do planeta desapareça dos rios brasileiros.
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Gigante ameaçada
Segundo o biólogo Edson Abrão, um dos principais motivos para a proteção da piraíba é seu crescimento extremamente lento. O peixe leva muitos anos para atingir a fase adulta e, consequentemente, a idade reprodutiva.
Com a pesca predatória e o comércio ilegal, muitos exemplares são capturados antes mesmo de conseguirem se reproduzir, reduzindo gradativamente a população da espécie.
Além disso, a alta valorização da carne também contribui para a pressão sobre o animal. Em algumas regiões, o quilo da piraíba pode chegar a cerca de R$ 100, tornando a pesca clandestina ainda mais atrativa.
“Eu acredito que logo logo esse animal não vai fazer parte dos nossos rios. Justamente por essa pesca predatória. Infelizmente”, alerta.
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Sem medidas de proteção, a piraíba poderá desaparecer dos rios brasileiros nas próximas décadas. Como possui crescimento lento, reprodução tardia e sofre forte pressão da pesca ilegal, a recuperação da população acontece de forma muito mais lenta do que em outras espécies.
Rio Araguaia abriga um dos maiores peixes de água doce do mundo
A piraíba (Brachyplatystoma filamentosum) pertence à família Pimelodidae, a mesma dos grandes bagres amazônicos, sendo conhecida também como piraíba-preta ou kumakuma.
A espécie é considerada o maior bagre da América do Sul e figura entre os maiores peixes exclusivamente de água doce do planeta. Em condições naturais, pode ultrapassar 3,5 metros de comprimento e atingir aproximadamente 270 quilos, embora existam registros históricos de exemplares superiores a 300 quilos.
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Seu corpo é alongado, sem escamas, com pele lisa, coloração cinza-escura no dorso e branca no ventre, além de uma cabeça grande e achatada, características típicas dos grandes bagres.
No Brasil, o ‘tubarão de água doce’ ocorre principalmente nas bacias Amazônica e Araguaia-Tocantins, mas também pode ser encontrada em rios do Peru, Colômbia, Venezuela e Guianas.
Além do tamanho impressionante, a piraíba exerce uma função essencial para o equilíbrio ambiental. O peixe possui hábitos predominantemente noturnos e é piscívoro, alimentando-se de diversas espécies menores.
Ao predar peixes como pequenas piranhas, a piraíba ajuda a controlar naturalmente essas populações, evitando desequilíbrios que poderiam afetar outras espécies do rio.
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