Tarifaço é ato político, e isso explica decisão do Brasil, diz representante de setor afetado

A decisão do governo brasileiro de manter aberta a negociação com os Estados Unidos, mesmo após a entrada em vigor da tarifa de 25% sobre produtos nacionais, encontra respaldo na avaliação da indústria de máquinas e equipamentos. Para José Velloso, presidente-executivo da Abimaq, a medida adotada por Washington tem motivação política, e responder na mesma moeda apenas dificultaria uma solução para o impasse. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Durante entrevista ao VEJA em Foco, apresentado por Raquel Novaes, Velloso afirmou que a manutenção do diálogo foi o principal resultado das reuniões realizadas com o vice-presidente Geraldo Alckmin e integrantes do governo federal.
“O principal motivo de não escalar para uma retaliação é exatamente porque a decisão norte-americana é política.”
Por que a Abimaq considera o tarifaço um ato político?
Segundo Velloso, representantes da entidade participaram de audiências públicas em Washington e encontraram resistência ao tarifaço inclusive entre empresários e associações dos próprios Estados Unidos.
Ele afirmou que praticamente nenhuma entidade norte-americana apoiou a adoção das tarifas, mas, ainda assim, o governo americano decidiu mantê-las.
“A sociedade americana se manifestou contra o tarifaço. Os Estados Unidos aplicaram da mesma forma a tarifa. Por isso entendemos que é uma tarifa política.”
Na avaliação do dirigente, os argumentos utilizados por Washington extrapolam questões comerciais e tornam ineficaz qualquer resposta baseada em retaliação.
Por que retaliar não resolveria o problema?
Para o presidente da Abimaq, a aplicação da Lei da Reciprocidade afastaria os dois países da mesa de negociação e produziria prejuízos adicionais para empresas e consumidores.
Segundo ele, parte importante do custo das tarifas acaba sendo absorvida pelo próprio mercado norte-americano.
“O grande prejudicado é o consumidor norte-americano.”
Velloso lembrou ainda que grande parte das exportações do setor ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico, o que faz com que o aumento dos custos seja posteriormente repassado aos consumidores finais.
Quais são os impactos para investimentos?
Além da redução da competitividade, Velloso afirmou que a principal consequência do ambiente criado pelas tarifas é o aumento da insegurança para investidores.
Segundo ele, a instabilidade nas decisões comerciais dos Estados Unidos já vinha afetando investimentos mesmo antes da nova elevação das tarifas.
“Os Estados Unidos hoje são um poço de insegurança para qualquer empresário.”
Na avaliação do dirigente, esse ambiente reduz investimentos bilaterais e dificulta decisões de longo prazo para empresas brasileiras e americanas.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
