O fator que pode fazer o eleitor recorrer ao voto útil na eleição presidencial de 2026

O aumento do número de eleitores indecisos, que declaram voto branco ou nulo ou ainda preferem candidatos fora da polarização, pode antecipar um movimento de voto útil já no primeiro turno da eleição presidencial. A avaliação é do cientista político Fábio Vasconcellos, que apresentou um levantamento no VEJA em Foco, apresentado por Raquel Novaes, comparando o cenário eleitoral de 2022 com o de 2026. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Segundo o pesquisador, a campanha chega às convenções partidárias com um contingente maior de eleitores ainda sem uma escolha consolidada. Para ele, esse grupo tende a redefinir o cenário à medida que a campanha entrar em sua fase oficial.
O que mudou em relação à última eleição?
Fábio Vasconcellos explicou que o levantamento identificou crescimento do eleitorado que hoje declara voto branco, nulo, indecisão ou preferência por candidatos da chamada terceira via.
Segundo ele, esse grupo representava cerca de 24% do eleitorado no primeiro semestre de 2022 e agora alcança aproximadamente 32%, indicando um comportamento diferente daquele observado na eleição anterior.
“Você tem um eleitor hoje um pouco mais avesso, um pouco mais refratário à ideia de polarizar, ir com Lula ou ir com Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Por que Lula não ampliou a vantagem?
O levantamento também mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega às convenções com uma taxa média de desaprovação cerca de oito pontos percentuais inferior à registrada por Jair Bolsonaro no mesmo período da eleição de 2022. Apesar disso, sua vantagem sobre o segundo colocado é menor do que a observada há quatro anos.
Segundo Fábio Vasconcellos, enquanto Lula liderava as pesquisas de 2022 com uma vantagem média de 17 pontos percentuais sobre Bolsonaro, atualmente a diferença para Flávio Bolsonaro gira em torno de oito pontos.
“Lula agora é o incumbente. Tem uma desaprovação menor, porém isso não se traduziu, até o momento, em uma competitividade semelhante à de 2022”, disse.
Quando esse eleitor deve decidir o voto?
Na avaliação do cientista político, a tendência é que esse contingente de eleitores comece a tomar uma decisão após as convenções partidárias e o início da propaganda eleitoral.
Segundo ele, esse será o momento em que parte dos eleitores deverá abandonar candidaturas com menor competitividade e migrar para os nomes que lideram a disputa.
Como o voto útil pode influenciar a eleição?
Para Fábio Vasconcellos, caso candidaturas alternativas não consigam crescer durante a campanha, uma parcela desse eleitorado poderá antecipar o chamado voto útil ainda no primeiro turno.
“Pode acontecer um fenômeno de antecipação do voto útil ainda no primeiro turno”, afirmou.
Na avaliação do cientista político, o elevado nível de competitividade da disputa pode fazer com que a lógica tradicional do segundo turno comece a se formar já nas primeiras semanas da campanha oficial, à medida que os eleitores concentrem seus votos nos candidatos com maiores chances de chegar à etapa decisiva da eleição.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
