Bancos europeus incluem aquecimento global nas métricas de riscos

Bancos europeus incluem aquecimento global nas métricas de riscos

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As ondas de calor extremo deste verão europeu foram a gota d’água para mudar a forma de entender os riscos financeiros do novo normal. O aquecimento global passou a ser reconhecido oficialmente como uma ameaça concreta à estabilidade econômica. Pela primeira vez, a Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês) anunciou que desenvove uma nova metodologia do teste de estresse para 2027, que inclui a mudança climática como uma das ferramentas para avaliar a capacidade do sistema financeiro de suportar grandes crises. 

O teste funciona como uma espécie de “simulação de desastre”. Reguladores submetem os bancos a cenários extremos — como recessões profundas, colapsos no mercado imobiliário ou crises financeiras — para verificar se essas instituições possuem capital suficiente para absorver prejuízos sem quebrar ou interromper a concessão de crédito. O objetivo é evitar uma crise em efeito dominó como a de 2008, que teve origem nos Estados Unidos. Nesta época, os bancos concederam empréstimos de alto risco para pessoas sem capacidade de pagamento, levando a uma quebra em efeito dominó, que contaminou todo o sistema financeiro.

Ao incluir o calor extremo nesse exercício, a EBA sinaliza que eventos climáticos já são considerados capazes de produzir impactos financeiros comparáveis aos das grandes crises econômicas. O receio é que o clima leve à deterioração gradual da saúde financeira de empresas e famílias. Para os bancos, isso significa crescimento dos calotes, desvalorização das garantias imobiliárias e aumento do risco de crédito.

Outra preocupação é o mercado de seguros, considerado uma das primeiras linhas de defesa contra desastres naturais. À medida que enchentes, incêndios florestais, secas e ondas de calor se tornam mais frequentes e intensas, seguradoras elevam prêmios, restringem coberturas ou deixam de atuar em determinadas regiões consideradas de alto risco. Sem proteção securitária, imóveis, empresas e propriedades rurais tornam-se ativos mais vulneráveis, reduzindo seu valor de mercado e comprometendo as garantias oferecidas aos bancos em operações de crédito. 

A metodologia em desenvolvimento pela EBA procura justamente medir esses impactos. Até agora, os riscos físicos das mudanças climáticas eram analisados de forma agregada, ao lado de enchentes, secas, tempestades e incêndios. A novidade é que o calor extremo poderá ganhar tratamento específico, com indicadores próprios para avaliar seus efeitos sobre diferentes setores da economia e, consequentemente, sobre a carteira de crédito dos bancos. Nesta primeira etapa, os riscos climáticos serão avaliados em um módulo separado dos testes tradicionais, permitindo aos reguladores aperfeiçoar as métricas antes que elas passem a influenciar diretamente as exigências de capital das instituições financeiras.

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