Cota chinesa pressiona frigoríficos e deve afetar carne no Brasil

Cota chinesa pressiona frigoríficos e deve afetar carne no Brasil

Tarifa

Frigoríficos reduzem abates, avaliam férias coletivas e buscam alternativas

Preço da carne deve diminuir no Brasil | Foto: Governo de Goiás

1
1

O preenchimento da cota de exportação de carne bovina para a China já começa a afetar a cadeia pecuária no Brasil. Pequim estabeleceu um limite de 1,1 milhão de toneladas com tarifa de 12%. Após esse volume, passa a valer uma sobretaxa de 55%, o que torna novas vendas pouco viáveis. Com isso, frigoríficos reduzem abates, avaliam férias coletivas e buscam alternativas para a produção que seria destinada ao mercado chinês.

A China segue como principal destino da carne bovina brasileira. Em 2025, o país asiático comprou 1,68 milhão de toneladas, o equivalente a 48% das exportações brasileiras do produto. Segundo Theo Paul Santana, especialista em negócios Brasil-China e fundador do Destino China, a medida não significa fechamento do mercado, mas uma forma de controle comercial. “É uma medida de política comercial chinesa. Nasceu de investigação de salvaguarda que Pequim abriu no fim de 2024 para proteger o pecuarista chinês do avanço das importações, e virou uma regra de três anos, de 2026 a 2028, com teto para cada país fornecedor. Passou do teto, entra uma sobretaxa que leva a tarifa a 67%. Não é a China fechando a porta. É a China controlando o ritmo em que ela abre”, afirma.

O impacto deve chegar também ao consumidor brasileiro. Com parte da carne que iria para a China sendo redirecionada ao mercado interno, analistas avaliam que os preços podem cair nos próximos meses. Para Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC Liquidez, “os preços já devem cair e impactar o mercado doméstico até agosto, com queda no IPCA de julho e agosto”. O movimento, porém, ocorre em meio a incertezas climáticas, como a perspectiva de um El Niño forte, que pode pressionar custos no setor agropecuário.

Frigoríficos com maior diversificação de mercados tendem a enfrentar melhor o cenário. Estados Unidos, Chile, México, Oriente Médio, Sudeste Asiático, Hong Kong, Rússia e Filipinas aparecem como destinos possíveis para parte do excedente. Ainda assim, especialistas alertam que nenhum desses mercados substitui a China em escala no curto prazo. A Frigol afirmou que, mesmo com expansão internacional, “o redirecionamento da produção originalmente destinada à China não é suficiente para absorver integralmente os volumes exportados para aquele país”.

O setor também acompanha entraves com a União Europeia, que cobra do Brasil mais controle sobre o uso de antimicrobianos em animais destinados ao bloco. Diferentemente da China, onde a questão é tarifária e comercial, a UE exige rastreabilidade, segregação de lotes e documentação sanitária. No primeiro semestre, as exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia somaram 51,2 mil toneladas, com receita de US$ 452,3 milhões. O Ministério da Agricultura afirma que as negociações continuam.

Com informações de O Globo.

Leia também:

Fonte Original Mais Goias

Ultimas Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *