Impedimento milimétrico frustra a comunidade de “Tehrangeles”

Impedimento milimétrico frustra a comunidade de “Tehrangeles”

Um desavisado que passasse na calçada ali pelas sete da noite desta sexta-feira, 26, não teria como imaginar o que estava acontecendo do lado de dentro. Era apenas um café como tantos outros espalhados por Los Angeles. Mas para os membros da comunidade iraniana da cidade, a maior fora do Irã, aquela porta era um portal.

O Meymuni Cafe, no bairro de Westwood, está no coração de Tehrangeles, o apelido carinhoso que a diáspora iraniana deu à cidade em referência a Teerã. Nesta noite, mais de 300 iranianos e descendentes se espremiam num edifício garagem adaptado para a ocasião, com cornetas, bandeiras e a voz no limite, assistindo ao jogo entre Egito e Irã pela última rodada do Grupo G da Copa do Mundo de 2026.

No final, uma decepção enorme com um gol anulado aos 49 minutos do segundo tempo, por um dedão do pé impedido do zagueiro Khalilzadeh, que deixou a partida em 1 a 1 – Egípcios classificados em segundo do grupo, agora pegam a Austrália na sexta-feira, 3 de julho, em Dallas. Na outra partida do grupo, a Bélgica atropelou a Nova Zelândia com um 5 a 1 e aguarda o término da rodada para descobrir quem enfrenta na próxima quarta-feira, 1º de julho, em Seattle. O Irã também aguarda ansioso pelos jogos deste sábado, pois ainda tem chances de passar como um dos oito melhores terceiros colocados.

O jogo acontecia em Seattle, a 1.800 quilômetros dali. Mas a vibração era como se o campo estivesse ali mesmo, entre as mesas, os smoothies de lavashak, uma espuma de frutas persas que é a bebida-símbolo da casa, e o cheiro de nachos com húmus e feta espalhados.

“Sempre lembro às pessoas: os persas são uma parte muito importante do tecido social de Los Angeles”, disse Shaheen Ferdowsi, fundador do Meymuni Cafe. “É incrível conseguir ser esse ponto de conexão para a comunidade aqui, nesse clima legal de Copa do Mundo.”

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O que mais se via ali eram bandeiras pré-revolução, com o leão e o sol no centro, e rostos pintados com o vermelho, o branco e o verde. As mesmas bandeiras que a Fifa tentou proibir nos estádios durante a Copa, e que um juiz de Los Angeles manteve banidas em campo, mas que aqui, na garagem de Ferdowsi, voavam sem restrição.

Ferdowsi abriu as portas do Meymuni para cada jogo do Irã na Copa, com ingressos para lugares reservados e entradas para quem chegasse por conta.

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Não é pouca coisa o que essa comunidade carrega. O Irã é a primeira seleção a disputar uma Copa num país com o qual está em guerra. A delegação foi obrigada a instalar seu quartel-general em Tijuana, no México, depois que autoridades americanas complicaram a concessão de vistos. Após cada jogo em Los Angeles, os jogadores precisaram embarcar de volta ao México na madrugada, sem poder dormir na cidade. “Dá para ver que isso está mexendo com a cabeça deles”, disse Mehdi Dabiri, nascido em Teerã e criado nos EUA desde os 8 anos. “São nossos primos, nossos irmãos.”

Na tela, Mohamed Salah e Ramin Rezaeian conduziam um jogo movimentado, com chances dos dois lados. O Egito abriu o placar aos 4 minutos com Mahmoud Saber, mas Rezaeian empatou aos 13. Taremi ainda chegou a sofrer um pênalti quando o jogo estava em 1 a 1, mas oo goleiro Shoubir fez grande defesa.

Para conseguir sua vaga nos 16 avos de final, o Irã terá que torcer contra Croácia, Argélia e RD Congo, que jogam neste sábado.

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