Em áudio ‘vazado’, Lula diz que ‘não suporta comportamento’ de governo Trump

Em conversa informal com o líder da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, na cúpula do G7, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o comportamento do governo dos Estados Unidos. A fala foi captada parcialmente nesta quarta-feira, 16, por uma equipe da agência de notícias Associated Press, enquanto os líderes, já perto dos microfones, conversavam antes de abertura da reunião.
Em um dos trechos, enquanto ambos estão sentados à mesa, é possível ouvir Lula dizer que o Brasil “não gosta de briga” e que “não tem divergência com nenhum país”. Em seguida, ele afirma: “Eu não suporto o comportamento do governo americano”.
Em outra parte “vazada”, é possível ouvir um trecho da conversa de Lula com a diretora do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz. No diálogo, o petista diz que “o mundo não é de esquerda, o mundo é do caminho do meio”.,
“Eu nunca fui esquerdista, eu era um dirigente sindical, que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, muito forte. Uma relação boa com o sindicalismo italiano e uma relação boa com a Espanha”, diz Lula.
Em discurso durante a cúpula, um dia antes, Lula já havia criticado abertamente “o protecionismo e o unilateralismo” e defindido o respeito à soberania de países na luta contra o crime transnacional. A fala foi feita praticamente frente a frente com Donald Trump, que estava sentado no lado oposto da mesa.
O discurso faz referência direta às ameaças de Washington de impor um novo tarifaço de 25% a produtos brasileiros e de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas.
Lula e Trump não se cumprimentaram na chamada “foto de família”, que reúne todos os líderes e convidados, na terça-feira. Apesar do desencontro durante a foto, auxiliares ouvidos pela coluna Radar, de VEJA, afirmaram que o presidente brasileiro antecipou a ida à reunião do G7 para tentar viabilizar um encontro bilateral com Trump para tratar das questões.
Em nota publicada logo após a mudança de classificação dos grupos criminosos, o Planalto acusou o governo Trump de interferência na soberania brasileira e, sem citar nomes, criticou “traidores” e “falsos patriotas” por trás da manobra. “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a int… a interferência em assuntos brasileiros”, diz a nota oficial.
Com a conversa, Lula quer ter um termômetro sobre o sentimento de Trump em relação às sugestões de um novo tarifaço feitas por Jamieson Greer, chefe do escritório comercial dos Estados Unidos.
A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) cita “políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico”, o Pix, além de “tarifas preferenciais desleais, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, e desmatamento ilegal”. O prazo para que sejam tomadas medidas corretivas expira em 15 de julho de 2026.
Antes da entrada em vigor do novo tarifaço proposto, o cronograma do governo americano prevê audiências e consultas públicas. Até 22 de junho de 2026: os interessados devem enviar seus pedidos de comparecimento à audiência, juntamente com um resumo do depoimento; 1º de julho de 2026: Prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas; 6 de julho de 2026: O USTR realizará uma audiência sobre a ação proposta; 15 de julho de 2026: Prazo final para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil.
