O ‘problemão’ que aguarda o vencedor da eleição presidencial de 2026

O governo que assumir o Palácio do Planalto em 2027 terá de enfrentar um ajuste fiscal mais duro para reorganizar as contas públicas e conter a trajetória da dívida brasileira. A avaliação é de André Roncaglia, diretor-executivo do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), em entrevista ao VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal. Segundo ele, a necessidade de medidas mais rígidas independe do resultado das eleições de 2026.
Por que o próximo governo herdará um cenário fiscal mais difícil?
Roncaglia afirmou que o FMI considera normal haver aumento da pressão por gastos em anos eleitorais, mas acompanha com preocupação a forma como o equilíbrio fiscal será retomado no mandato seguinte. “A expectativa do fundo é que é normal em ano de eleição haver pressão de gasto”, disse.
Segundo o economista, embora o governo atual tente preservar a credibilidade do arcabouço fiscal e manter políticas voltadas às parcelas mais vulneráveis da população, o esforço de reorganização das contas deverá recair sobre a próxima gestão. “O fundo também vê com bons olhos o esforço do governo de tentar manter a credibilidade do arcabouço fiscal, de fazer os ajustes necessários e tentar, na medida do possível, encontrar uma rota que não deixe os gastos sociais descobertos”, afirmou.
O ajuste será inevitável a partir de 2027?
Para Roncaglia, não há espaço para adiar mudanças fiscais estruturais. “Isso vai envolver inevitavelmente um ajuste mais duro a partir de 2027, independentemente de quem vença as eleições”, disse o diretor-executivo do FMI.
Na avaliação dele, a reorganização fiscal passará por medidas negociadas politicamente e exigirá coordenação entre os Poderes. Entre os caminhos citados estão a flexibilização de despesas obrigatórias, a redução gradual de desonerações tributárias e uma solução considerada mais equilibrada para as emendas parlamentares.
Como equilibrar as contas sem abandonar gastos sociais?
O economista defendeu que o ajuste não significa necessariamente reduzir proteção social, mas encontrar mecanismos capazes de conciliar responsabilidade fiscal e atendimento às demandas da população. Segundo ele, o desafio será construir um consenso político em torno de mudanças estruturais no Orçamento.
“É importante que o Executivo, o Legislativo e o Judiciário cooperem para produzir um equilíbrio que atenda às demandas sociais, que atenda a demandas legítimas da sociedade, mas tudo dentro do arcabouço fiscal”, afirmou.
Ao fim da entrevista, Roncaglia reforçou que os ajustes no primeiro ano do próximo governo serão decisivos para recolocar a dívida pública em uma trajetória de queda no médio prazo.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
