Lutador diz que chutou adolescente em Goiânia para “reanimá-lo”
Após romper a tornozeleira eletrônica e permanecer por horas foragido, o lutador Rafael Gomes Pereira se entregou à polícia na noite de quinta-feira (4), em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. A prisão ocorreu após decisão do juiz Giuliano Morais Alberici, que decretou a preventiva do atleta por agressão a um adolescente de 17 anos e descumprimento de medidas cautelares. O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens da abordagem, registrada no dia 29 de maio, na Praça das Artes, no Jardim Goiás, em Goiânia.
Segundo o Ministério Público, Rafael utilizou técnicas de artes marciais para imobilizar o jovem com um mata-leão até que ele perdesse a consciência. Testemunhas também afirmam que o adolescente foi chutado enquanto já estava desacordado. A defesa, representada pelos advogados Emanuel Rodrigues e Andreia Portela, sustenta que o lutador agiu em legítima defesa e nega intenção de matar.
Sem intenção de matar
Questionada sobre a alegação de que o chute teria sido dado após a vítima perder a consciência, a defesa afirmou que não houve intenção de homicídio.
“O Sr. Rafael é pai e foi à quadra apenas para buscar seus filhos. Ele sofreu uma agressão contra ele e contra os menores e reagiu como qualquer pai reagiria para proteger quem ama”, afirmou a defesa.
Segundo os advogados, o lutador utilizou técnicas que domina para conter a situação. “Ele pratica artes marciais há anos e sabia exatamente o que estava fazendo. Conteve o jovem de forma controlada e, logo depois, agiu para que ele voltasse a si”, disseram.
A defesa reforça que o chute não teve caráter agressivo. “Em nenhum instante quis tirar ou pôr em risco a vida de ninguém”, afirmaram, acrescentando que Rafael “lamenta profundamente o ocorrido e confia que a Justiça compreenderá a verdade dos fatos”.
Defesa contesta descumprimento de medida judicial
Sobre a nova prisão por descumprimento de medidas cautelares, os advogados afirmam que não houve irregularidade.
“A decisão determinou distância de 300 metros da vítima, mas não exigiu mudança de endereço. A residência do Sr. Rafael fica a cerca de 250 metros da praça, o que torna impossível cumprir integralmente a medida sem abandonar o próprio lar”, explicaram.
Segundo a defesa, ele permaneceu em casa. “Ele estava no exercício legítimo do direito de moradia, sem qualquer intenção de aproximação”, disseram.
Acusação de monitoramento é negada
Imagens que circularam nas redes sociais indicariam que Rafael estaria observando ou filmando a família da vítima. A defesa nega. “Trata-se de uma inverdade. Não existe nenhum vídeo gravado pelo Sr. Rafael ou por sua família após a soltura”, afirmaram.
De acordo com os advogados, há apenas uma foto dele na sacada. “Ele estava apenas observando a movimentação, surpreso com a presença da imprensa, e utilizou o celular para tentar enxergar melhor à distância”, explicaram.
A defesa afirma que não é possível concluir qualquer intenção a partir da imagem. “Não há prova de que ele filmava a vítima ou sua família”, disseram.
Rompimento da tornozeleira foi motivado por medo, diz defesa
Sobre o rompimento da tornozeleira eletrônica, a defesa afirma que Rafael já pretendia se apresentar. “Desde o momento em que soube da prisão preventiva, ele decidiu se entregar”, afirmaram.
No entanto, segundo os advogados, o lutador recebeu links suspeitos que poderiam expor sua localização. “Diante do medo e das ameaças, ele acabou rompendo o equipamento para evitar riscos à sua segurança e à de sua família”, explicaram.
Eles também citaram preocupação com exposição. “Havia receio de que o endereço da família fosse divulgado com a repercussão do caso”, disseram.
A defesa reforça que não houve tentativa de fuga. “Ele se apresentou espontaneamente, acompanhado do advogado. Isso demonstra que jamais quis se furtar à Justiça.”
Os advogados afirmam que não consideram o rompimento da tornozeleira um erro. “Foi a atitude de um pai preocupado com a própria segurança e a de seus familiares”, disseram.
Eles destacam que a legislação não trata a fuga como crime. “Ainda assim, ele não se ocultou. Pelo contrário, se apresentou voluntariamente”, afirmaram.
Histórico de violência é contestado
Sobre relatos de episódios anteriores envolvendo o lutador, a defesa diz que não teve acesso a registros formais. “Essas informações são inverídicas e foram construídas para atingir a imagem dele”, afirmaram.
Os advogados também destacaram que há conflitos anteriores entre as partes. “Os desentendimentos remontam a janeiro, o que demonstra que o caso não é isolado”, disseram.
Situação atual e próximos passos
Atualmente, Rafael está custodiado na unidade prisional de Trindade. “Ele está fora de perigo e aguarda serenamente a decisão do Judiciário”, informou a defesa.
Segundo os advogados, já foi protocolado pedido de habeas corpus. “Confiamos que o caso será analisado com base nas provas, e não em pressões externas”, concluíram.
