CEO do AtlasIntel não teme condenação no TSE por áudio de Flávio mostrado em pesquisa

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O fundador e CEO do Instituto AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que não teme uma eventual condenação na Justiça Eleitoral após o Partido Liberal e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrarem com uma ação para tentar impugnar e impedir a circulação da última pesquisa eleitoral nacional que eles fizeram.
O levantamento foi o primeiro feito após virem à tona conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na quais o senador pediu milhões de reais para financiar um filme sobre o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A pesquisa demonstra uma queda significativa do parlamentar em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Não é a primeira vez que uma pesquisa Atlas é contestada na Justiça Eleitoral. Ao longo do tempo, em diversos ciclos eleitorais, a gente respondeu a essas ações e, até hoje, não lembro de uma ação que a gente não tenha conseguido ganhar no final (…). Sinceramente, não temos nada a temer. A solidez, a robustez da metodologia é afirmada no Brasil em ciclos eleitorais consecutivos. Foi a melhor pesquisa de melhor desempenho no primeiro turno das últimas eleições presidenciais aqui”, declarou Roman em resposta a VEJA.
A qualidade da pesquisa foi colocada em dúvida por bolsonarista pelo fato de, em determinado momento, o áudio de Flávio para Vorcaro ter sido tocado para os entrevistados avaliarem. Flávio e o PL acusam o Atlas de, com isso, influenciar as respostas — ao que o instituto responde explicando que o material só foi exibido ao final, após todas as perguntas terem já terem sido feitas.
“A gente enxerga com naturalidade o questionamento do Flávio Bolsonaro, porque foi, de fato, a primeira pesquisa que mostrou uma piora [dele, nas intenções de voto]. Agora já não é mais a única, tem mais outras três [de outros institutos] que mostram a mesma tendência (…) O áudio foi testado, aquela conversa entre o Flávio Bolsonaro e o Vorcaro, em um módulo complementar, separado da coleta principal. Então, não houve qualquer tipo de contágio no resultado apresentado”, explicou Roman.
“A gente tem uma ferramenta que, às vezes, a gente utiliza para entender o debate político, como [por exemplo, para] entender quem ganhou um debate eleitoral. Precisamos entender quais são os elementos de discurso que despertam ideias negativas e positivas na cabeça de um eleitor. Vista a repercussão desse áudio, era interessante entender melhor. Sendo que esse teste foi realizado depois da pesquisa. Portanto, não houve nenhum tipo de contágio”, reforçou em declaração no 5º Fórum Esfera, realizado no Guarujá, no litoral de São Paulo.
.A última pesquisa eleitoral nacional do AtlasIntel foi divulgada no dia 19. O resultado mostrou queda significativa de Flávio Bolsonaro em eventuais primeiro e segundo turno. Antes, em abril, ele empatava tecnicamente com o presidente Lula no segundo turno, agora, no entanto, ele ficou mais de sete pontos atrás do petista.
Após cinco dias que o PL entrou com uma ação no TSE, nenhuma decisão judicial foi tomada acerca do levantamento ainda.
